Para nós, profissionais de recursos humanos, a atração e a retenção de talentos é, sem dúvida, uma das nossas grandes preocupações. Mas, para além dos desafios diários neste tema, tenho refletido sobre o que enfrentaremos no futuro, como reflexo das escolhas feitas por aqueles que entrarão no mercado de trabalho nos próximos anos. Se o nosso olhar estiver focado apenas em preencher as vagas de hoje, como será o capital humano do amanhã?
Essa reflexão ganha contornos de urgência quando analisamos a base que sustenta a inovação no Brasil. Sabemos que a formação de engenheiros está diretamente relacionada com o progresso e desenvolvimento econômico de uma nação. Países que conseguiram acelerar seu crescimento, investiram fortemente na formação de profissionais de engenharia e tecnologia. O setor industrial brasileiro, porém, enfrenta um verdadeiro apagão de profissionais técnicos. Temos observado uma queda importante na busca pelos cursos de engenharia; uma expressiva evasão ao longo do curso, fazendo com que menos estudantes concluam a graduação; e um movimento grande dos engenheiros recém-graduados para outros setores econômicos. A dificuldade se torna ainda maior quando buscamos talentos com formação em engenharia de materiais e metalúrgica, essenciais para o setor do aço.
Os dados de mercado confirmam o que sentimos na prática. Um levantamento da consultoria McKinsey & Company aponta que apenas 60% da demanda por novos engenheiros está sendo efetivamente suprida. Se há menos jovens interessados em ingressar na indústria hoje, quem vai liderar a evolução tecnológica do país nos próximos anos?

