Fábrica centenária da New Holland conta até com ‘robôs colaborativos’

Fábrica centenária da New Holland conta até com ‘robôs colaborativos’

Há 120 anos, uma fabriqueta de máquinas agrícolas na cidade de Zedelgem era mais uma das indústrias que começavam a operar na Bélgica, que vivia então sua versão da Revolução Industrial. Hoje, após muitas expansões e modernizações, a unidade da New Holland tem robôs trabalhando lado a lado com humanos e é considerada um centro global de excelência em colheitas da companhia do grupo CNH Industrial.

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O último ciclo de investimentos na unidade ocorreu entre 2022 e 2025, quando a fábrica recebeu aportes de 150 milhões. Parte desses recursos foi aplicada na modernização da fábrica.

Os principais equipamentos produzidos na unidade hoje são uma colheitadeira, uma enfardadeiras de algodão e feno e uma máquina forrageira. No showroom também está à mostra a Claeys MZ, a primeira colheitadeira debulhadora autopropelida da Europa.

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O equipamento não está à venda, mas serve para relembrar as origens do local. O nome da máquina faz referência a Leon Claeys, mecânico francês que, em 1906, ocupou parte da fábrica e iniciou a produção de máquinas pequenas. Em 1952, ele desenvolveu a Claeys MZ.

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A fábrica possui atualmente 360 mil metros quadrados e cerca de 3 mil funcionários. Em meio ao vaivém dos trabalhadores e das empilhadeiras, a atuação de robôs autônomos surpreende o grupo de jornalistas convidado para visitar a unidade na semana passada. São ao menos três robôs no local, encarregados de movimentar, cortar e modelar chapas de aço que compõem os equipamentos da New Holland.

Com essa estrutura, a fábrica produz 16 colheitadeiras, oito enfardadeiras e três máquinas de forrageira por dia. Esses itens são exportados para 130 países.

“Os primeiros robôs de soldagem chegaram em 1997, gerando economia com a mão de obra, que não é fácil de se encontrar aqui [na Bélgica]. Agora estamos migrando para cobots [robôs colaborativos], o que nos abre muitas possibilidades”, disse Stefaan Van De Walle, diretor da unidade em Zedelgem ao Valor.

A tecnologia é parte central dos equipamentos desenvolvidos pela New Holland na Bélgica. A indústria conta com uma sala virtual, onde a maior parte das inovações é criada, testada e validada. Em uma demonstração com o uso de óculos de realidade virtual, a cabine da colheitadeira CR 11 praticamente ganha vida e forma dentro de uma sala pequena.

Robô dobra chapas de aço usadas na confecção das máquinas em Zedelgem. Primeiro equipamento chegou à fábrica em 1997 — Foto: Paulo Santos/Globo Rural
Robô dobra chapas de aço usadas na confecção das máquinas em Zedelgem. Primeiro equipamento chegou à fábrica em 1997 — Foto: Paulo Santos/Globo Rural

A CR 11 é um dos produtos que mais chamam a atenção. A colheitadeira, considerada a maior do mundo, chegou ao mercado europeu em 2023. No Brasil, fez sua estreia em 2025, durante a Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola da América Latina.

O modelo é equipado com motor de 775 cavalos, tanque de grãos com capacidade para 20 mil litros e plataforma de corte de 18,6 metros. Com velocidade de descarga de 210 litros por segundo, a máquina promete reduzir as perdas de grãos e aumentar a eficiência em sistemas como o de limpeza de resíduos.

Antes de todas as máquinas virarem realidade na unidade de Zedelgem, a concepção acontece dentro do campo virtual.

“Utilizamos softwares 3D antes mesmo de fabricar qualquer equipamento. A partir de simulações virtuais, é possível saber se um determinado componente vai suportar toda a vida útil para qual foi planejado. Só depois disso é que se faz o protótipo e a validação para iniciar o processo de produção na fábrica”, explicou Filipe Araújo, coordenador de projetos da New Holland em Zedelgem, ao Valor.

Mineiro nascido em Contagem, Araújo faz parte de um grupo de imigrantes que compõem o quadro multicultural da fábrica. No local, há trabalhadores de 30 nacionalidades diferentes. Há três anos, Araújo saiu de sua cidade natal para comandar a área de projetos da New Holland na Bélgica. Com experiência em outras indústrias do segmento de máquinas no Brasil, ele ressaltou que o acesso à tecnologia é uma das principais diferenças entre os dois países.

“O acesso à inovação é mais barato aqui, especialmente de produtos que já estão consolidados, enquanto no Brasil muitas coisas precisam de importação, fato que encarece muitas tecnologias. Mas, em termos de capacidade de desenvolvimento, não vejo muita diferença entre os dois países”, observou Araujo.

Para Van De Walle, diretor da fábrica, os investimentos em tecnologias serão cruciais para o futuro da fábrica. “Gostaria de ver mais automação nos próximos anos. Isso vai garantir aumento da qualidade e dos volumes na produção”, disse.

Ainda segundo ele, a consolidação da New Holland no mercado de máquinas como a CR 11 garante à empresa vantagem em relação aos concorrentes.

O jornalista viajou à Bélgica convite da New Holland

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