As exportações brasileiras de frutas podem atingir um novo recorde em 2026, após a receita histórica de US$ 1,45 bilhão no ano passado, estima a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).
A expectativa é que as vendas externas cresçam 5% este ano, segundo Waldyr Promícia, presidente da Abrafrutas, e um dos principais motivos é a demanda crescente de importadores da União Europeia, após a redução de tarifas sobre os produtos definida no acordo com países do Mercosul, que entrou em vigor de forma provisória no dia 1 de maio. Até setembro deste ano, segundo o Ministério da Agricultura, as exportações de frutas somaram US$ 1,17 bilhão, 17,5% acima do mesmo periodo no ano anterior.
“Entramos agora em uma vertente de crescimento que não para mais”, disse. Para ele, o Brasil tem espaço para aumentar as exportações, mas precisa ampliar a participação no comércio global de frutas. O país é o terceiro maior produtor mundial do setor, mas ocupa a 23 posição no ranking de exportadores, disse.
A redução das tarifas nos negócios com a União Europeia podem contribuir para que o Brasil amplia essa fatia. O imposto sobre a uva de mesa foi eliminado de imediato com a entrada em vigor do acordo comercial. Para outras frutas, o cronograma de redução varia. Segundo Promícia, a retirada do imposto reduz o custo de comercialização e estimula os exportadores a ampliar as vendas ao mercado europeu.
No caso de melões e melancias, a tarifa-base prevista no acordo é de 8,8%, com eliminação gradual e isenção total prevista para 2033. Para abacates, as tarifas-base variam de 4% a 5,1%, conforme a época do ano, e a eliminação está prevista para 2030. No caso dos abacaxis, a tarifa-base de 5,8% será eliminada gradualmente até 2030. Já as limas têm tarifa-base de 12,8%, com redução escalonada até 2033.
Na avaliação de Promícia, a possibilidade de fornecer frutas ao longo de todo o ano é uma das vantagens competitivas do Brasil. As condições climáticas e a diversidade de regiões produtoras permitem manter o abastecimento mesmo quando concorrentes enfrentam limitações sazonais. O limão é um exemplo desse avanço: segundo Promícia, as exportações brasileiras da fruta passaram de cerca de 9 mil toneladas em 2000 para quase 200 mil toneladas em 2025.
Fernando Ferreira, sócio-diretor da MBR Company, trading especializada na exportação de frutas frescas, também espera crescimento nas exportações. Na empresa, as exportações no acumulado do ano estão aproximadamente 9% acima do acumulado para o mesmo período de 2025. Além disso, podem crescer ainda mais até o final do ano, porque o último trimestre concentra parte importante da safra de produtos como uvas, mangas e melões.
Mas ele avalia que a demanda crescente não garante que as vendas se convertam em embarques. A razão são os gargalos logísticos, como disponibilidade limitada de navios e espaços nas embarcações, dificuldades para conseguir agendamentos e atrasos nas operações dos terminais portuários.
As restrições nas rotas marítimas decorrentes do conflito no Oriente Médio e dos problemas na região do Mar Vermelho agravam a situação, segundo o exportador.
Como as frutas são perecíveis e precisam ser transportadas sob refrigeração, atrasos de uma ou duas semanas podem provocar perdas significativas de qualidade e comprometer a comercialização.
Para 2027, a perspectiva também é positiva para as exportações de frutas. Além da expansão da demanda internacional, os investimentos em áreas produtivas podem favorecer novos aumentos nas vendas externas, o presidente da Abrafrutas.
Em meio a um cenário promissor para o segmento, produtores e exportadores estão atentos a possíveis impactos do fenômeno climático El Niño na fruticultura. Para Fernando Ferreira, da MBR, os efeitos diretos sobre a atividade tendem a ser limitados, já que boa parte da produção voltada à exportação está em áreas irrigadas. Eventuais prejuízos em países concorrentes, como o Peru, poderiam abrir espaço adicional para as frutas brasileiras.

