Efeito El Niño: setembro terá chuva e calor acima da média no Brasil

Efeito El Niño: setembro terá chuva e calor acima da média no Brasil

Setembro, que começa nesta terça-feira (1/9), é, historicamente, um mês de transição no clima do Brasil. O período frio e seco, característico do inverno, começa a ceder espaço para o retorno das chuvas, a maior ocorrência de tempestades associadas a ventos fortes e o aumento gradual das temperaturas com a chegada da primavera, no dia 22, às 21h05 (de Brasília).

PUBLICIDADE
Sicoob Engecred

Em 2026, no entanto, o inverno não seguiu o padrão esperado para a estação. Desde o início, em junho, áreas que não registravam grandes volumes de chuva foram atingidas por temporais. Em outras, mesmo onde a precipitação não era tão intensa, ocorreram enchentes e enxurradas, com prejuízos à infraestrutura urbana e rural.

A tendência para setembro, de acordo com os modelos meteorológicos, é de que a chuva seja ainda mais intensa e abrangente pelo Brasil do que foi em julho e agosto, explica Celso Luis de Oliveira Filho, meteorologista da Tempo OK.

PUBLICIDADE
Sicoob Engecred

“Os maiores acumulados concentram-se sobre a região Sul, por conta do El Niño, mas a chuva acima da média também será percebida no Sudeste e em partes do Centro-Oeste e do Nordeste. Apenas o Norte tem chuva entre a média e abaixo da média”.

 

PUBLICIDADE
Sicoob Engecred

Em relação às temperaturas, a presença da chuva deve provocar oscilações nos termômetros, com máximas acima de 30°C e quedas repentinas em poucas horas, principalmente, no Centro-Sul.

“Isso vem acontecendo pela temperatura do Atlântico mais elevada que o normal, o que está fazendo o oceano evaporar com mais facilidade. O vento, por sua vez, transporta a umidade para o continente. Além disso, temos o El Niño, que tem deixado a atmosfera mais instável e mais propícia à formação de nuvens”, conta.

Em setembro ainda faz frio?

 

Sim. Apesar da previsão de temperaturas acima da média em grande parte do país, o frio, a principal característica do inverno, ainda estará presente. Nas áreas mais altas da Serra de Santa Catarina, do Paraná e do Rio Grande do Sul, há, inclusive, risco para geadas, reforça o meteorologista Guilherme Borges.

“Não se descarta a ocorrência de alguma onda de frio. Provavelmente, devemos ter uma (onda de frio) no início de setembro, potencializando a entrada de ar frio. A gente vai ter uma continuação de frio, mas não muito intenso”.

 

 — Foto: Tempo OK
— Foto: Tempo OK

Veja como será o clima em cada região:

 

SUL

A previsão do tempo indica que o Sul será atingido por volumes elevados de chuva ao longo de setembro, com risco ainda de trovoadas, rajadas de vento e queda de granizo.

“Paraná, Santa Catarina e parte do norte do Rio Grande do Sul receberão acumulados entre 1,5 a 2 vezes mais que o normal, situação que manterá o alerta para transtornos, como transbordamentos e deslizamentos de encostas”, diz Celso Filho.

Com a chuva acima da média, as temperaturas oscilam entre períodos mais curtos de calor e outros mais prolongados de frio, ainda sob influência do inverno. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, os municípios localizados na Serra podem registrar geada.

SUDESTE

Assim como no Sul, a região Sudeste terá chuva acima da média no nono mês do ano, mas com uma diferença: os volumes serão menores. As áreas mais atingidas devem ser São Paulo, Rio de Janeiro e o sul de Minas Gerais, destaca Guilherme Borges.

“O contraste de frentes frias e quentes favorece esse cenário chuvoso e mais concentrado. A gente vai ver muito claro isso no Sudeste”.

 

Nas temperaturas, o cenário se assemelha ao que é previsto para o Sul, com oscilação entre períodos de frio e calor. No interior de São Paulo e de Minas Gerais, as máximas podem ficar de 3°C a 4°C acima da média.

CENTRO-OESTE

A área que abrange Mato Grosso do Sul, sudoeste e leste de Goiás e o sul de Mato Grosso vai registrar mais chuva pelo fluxo de umidade vindo do Norte.

O calor também estará presente no Centro-Oeste. No leste de Goiás e no norte de Mato Grosso, as temperaturas ficam acima da média. Já no Mato Grosso do Sul, que é mais próximo do Sul e do Sudeste, a previsão indica oscilação nos termômetros.

NORTE

Diferentemente das outras quatro regiões brasileiras, o Norte tem previsão de chuva abaixo da média. Guilherme Borges pontua que o El Niño começa a exercer um papel mais efetivo e favorece a redução das instabilidades na área entre o Amazonas, o Amapá e o Pará.

O calor deve ser elevado e persistente ao longo do mês. A combinação de temperaturas altas e redução da chuva é perigosa, porque aumenta o risco de queimadas.

NORDESTE

A chuva fica acima da média em áreas da Bahia, Ceará, Piauí e Pernambuco, com possibilidade, inclusive, de ventos fortes. Já no Maranhão, em Alagoas e em Sergipe, a tendência é de volumes abaixo da média

Em relação às temperaturas, setembro marca o início do chamado B-R-Ó-BRÓ, termo popular utilizado para se referir aos quatro meses mais quentes do ano na região (setembro, outubro, novembro e dezembro). O período se caracteriza por baixos índices de umidade.

Olhando para o agro

 

Com 93% de probabilidade de o fenômeno El Niño atingir a categoria “muito forte”, na projeção da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), os agricultores estão atentos às mudanças no clima. E, diante das previsões para setembro, os meteorologistas ouvidos pela Globo Rural apontaram cinco impactos – positivos e negativos – para o agro brasileiro:

  1. A chuva intensa e concentrada no Sul, acompanhada de tempestades e ventos fortes, deve deixar o solo muito úmido e prejudicar o plantio de culturas importantes, como a soja no Paraná e o milho de segunda safra no Rio Grande do Sul;
  2. Nas áreas do Sul onde a expectativa é para volumes de chuva menos intensos e frequentes, como na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, será possível avançar no plantio de arroz;
  3. A florada do café pode acontecer antes do previsto devido à chuva acima da média no Sudeste. Já nas lavouras de cana-de-açúcar, o excesso de precipitação pode atrasar a colheita;
  4. A chuva acima da média no Centro-Oeste favorece o plantio da soja a partir deste mês, principalmente, em Mato Grosso do Sul e no sudoeste de Goiás;
  5. A redução do volume de chuva em Alagoas e Sergipe pode antecipar a colheita da cana-de-açúcar se as lavouras estiverem aptas.

Publicidade

Basket (0)
Seu carrinho está vazio.
plugins premium WordPress
Select the fields to be shown. Others will be hidden. Drag and drop to rearrange the order.
  • Image
  • SKU
  • Rating
  • Price
  • Stock
  • Availability
  • Add to cart
  • Description
  • Content
  • Weight
  • Dimensions
  • Additional information
Click outside to hide the comparison bar
Compare