Crédito rural tem menor liberação de recursos em 8 anos em Goiás

Crédito rural tem menor liberação de recursos em 8 anos em Goiás

Apesar de o Plano Safra 2026/2027 disponibilizar R$ 610 bilhões para o financiamento da próxima safra, sendo R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 84,9 bilhões para a agricultura familiar, analisando os dados do Banco Central com relação à liberação dos recursos do crédito rural no Brasil, de junho à agosto/2026, comparando com o mesmo período dos anos anteriores, observou-se que a liberação foi a menor dos últimos 5 anos. Foram R$ 85,7 bilhões no período de junho à agosto/2026, contra R$ 95,5 bilhões nos meses de junho à agosto/2021, queda de 10,3%, voltando ao período pré-pandemia.

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Em relação ao ano de 2025 (junho à agosto/2025), a queda foi de 21%, quando foram liberados R$ 108,32 bilhões de reais. O ano de 2023 foi, no período de 11 anos, o ano em que tivemos a maior liberação de recursos de crédito rural no período de junho à agosto, sendo liberados R$ 143,9 bilhões. Com relação a esse período, a queda de junho à agosto/2026, foi de 40,4%.

O impacto maior na queda da liberação dos recursos do crédito rural foi provocado pela redução dos recursos direcionados ao custeio, queda de 22% de junho a agosto/2026 em relação ao mesmo período do ano de 2025. A liberação dos recursos para investimento caiu 20% e de comercialização queda de 8%.

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Analisando a liberação dos recursos do crédito rural por Estado, dentre os 10 que tiveram a maior liberação dos recursos, Goiás foi Estado que teve a maior queda, considerando a liberação dos recursos no período de junho à agosto/2026 contra junho a agosto/2025, queda de 43,2%. R$ 4,99 bilhões em 2026 contra R$ 8,79 bilhões em 2025. Goiás foi seguido por Santa Catarina com queda de 40,4%, Mato Grosso do Sul com 23,8% de queda e Mato Grosso com queda de 21,0%.

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Os 10 principais estados na liberação dos recursos de crédito rural nos meses de junho à agosto do ano de 2026 (RS, PR, MG, MT, SC, SP, GO, BA, MS e ES), representaram 85,6% de todos os recursos liberados (R$ 73,34 bilhões), com redução de 20,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Últimos 8 anos para Goiás

No caso do Estado de Goiás em específico, os recursos de crédito rural liberados nos meses de junho à agosto/2026, só é superior para o mesmo período do ano de 2019 (junho à agosto/2019), ou seja, menor liberação de recursos em 8 anos. Em 2019 foi liberado R$ 4,61 bilhões, contra R$ 4,99 bilhões no mesmo período de 2026. Em todos os demais anos, no período de junho à agosto, a liberação de recursos do crédito rural foi superior ao ano de 2026.

A maior queda nos recursos liberados em Goiás, nos meses de junho à agosto de 2026 foi o de custeio, que caiu 43,8% em relação ao mesmo período do ano de 2025, de R$ 5,79 bilhões para R$ 3,25 bilhões. Os recursos de investimento tiveram queda de 37,3%, caindo de R$ 1,74 bilhão para R$ 1,09 bilhão e o de comercialização queda de 15%, de R$ 602 milhões para R$ 510 milhões.

Os produtores agrícolas goianos foram os maiores impactados com a redução da liberação dos recursos de crédito rural nos três meses acumulados de junho à agosto de 2026, com redução de 48,3%. R$ 2,64 bilhões em 2026 contra R$ 5,11 bilhões no ano de 2025. A pecuária teve redução de 36,1%, de R$ 3,68 bilhão de junho a agosto/2025 para R$ 2,35 bilhão de junho a agosto/2026.

Considerando a Pesquisa de Pecuária Municipal do IBGE para o ano de 2025, os 20 maiores produtores de grãos em Goiás foram: Rio Verde, Jataí, Caiapônia, Cristalina, Campo Alegre de Goiás, Mineiros, Catalão, Piracanjuba, Goiatuba, Ipameri, Montividiu, Paraúna, Silvânia, Doverlândia, Luziânia, Chapadão do Céu, Acreúna, Santa Helena, Bom Jesus e Perolândia, considerando a produção das principais culturas: soja, milho, girassol, sorgo, feijão, arroz e trigo.

Do total dos recursos do crédito rural liberado em Goiás no período analisado no ano de 2026, R$ 4,99 bilhões, somente os 20 maiores municípios agrícolas goianos, representaram 29,43% de todo o recurso liberado, ou seja, R$ 1,47 bilhão. Quando comparamos o período de junho à agosto de 2026 com o mesmo período de 2025, a queda na liberação dos recursos do crédito rural nesses 20 municípios foi de 53,9%. Sendo uma queda de 49,3% nos recursos liberados de custeio e 50,4% nos recursos liberados de investimento.

Santa Helena, Acreúna, Chapadão do Ceú, Catalão e Luziânia, foram os municípios que tiveram as maiores reduções na liberação de recursos do crédito rural no período acumulado de junho à agosto de 2026, comparado com o mesmo período de 2025. 86,1%, 83,4%, 78,5%, 74,4% e 74,3%, de queda respectivamente.

Rio Verde e Jataí, que foram o 1º e 2º na liberação dos recursos, tiveram queda de 49% e 46,5% nos recursos de crédito rural de 2025 para 2026. Rio Verde saiu de um total de R$ 699,8 milhões de recursos liberados no período de junho à agosto de 2025 para R$ 356,6 milhões no período de junho à agosto de 2026. Já Jataí, saiu de R$ 317,6 milhões no período analisado em 2025 para R$ 169,9 milhões no mesmo período de 2026. Todos os 20 maiores municípios produtores agrícolas de Goiás tiveram queda na liberação de recursos do crédito rural no período analisado.

E quais são as razões para essa queda tão significativa na liberação do crédito rural bancário no Brasil como um todo, e em específico no Estado de Goiás?

Essa queda pode ser explicada por uma combinação de fatores: juros elevados, endividamento maior do produtor rural, aumento do risco da inadimplência, queda e volatilidade dos preços agrícolas, aumento nos custos de produção, maior seletividade e critério para a liberação dos recursos por parte dos bancos, maiores exigências de garantias, eventos climáticos extremos, mudanças nas fontes de financiamento e redução na demanda por investimentos constituem os principais fatores.

Então, observamos o aumento de financiamento, como CPR, Barter, Tradings e agroindústrias, revendas e fabricantes de insumos, LCA, CRA e fundos de investimento e recursos próprios. Em grande parte das vezes, com condições menos favorecidas de taxas de juros, prazos e garantias. E isso, tem feito com que cada vez mais os produtores tem se endividado para plantar a safra seguinte.

Agora o cenário atual é ainda mais sensível em atividades expostas a riscos climáticos e de mercado, exigindo maior atenção na formulação de políticas públicas que garantam a continuidade e a sustentabilidade da produção agropecuária.

Análise feita por Edson Novaes, gerente técnico da Faeg

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