Pequeno, aromático e mais ácido que o caju encontrado com facilidade nos supermercados, o cajuzinho-do-cerrado chama atenção pela variedade de usos. Presente em áreas de Goiás, o pseudofruto pode ser consumido in natura e transformado em sucos, doces, geleias, sorvetes, vinagre e até bebida fermentada parecida com vinho.
O aproveitamento amplia as possibilidades de renda para agricultores familiares e comunidades que trabalham com produtos da sociobiodiversidade. A Secretaria de Meio Ambiente de Goiás inclui o cajuzinho entre as espécies nativas comercializadas por essas populações, ao lado de frutos como pequi, baru, cagaita, mangaba e araticum.
Pequeno no tamanho e marcante no sabor
A parte carnosa, que muita gente chama de fruto, é tecnicamente um pseudofruto. Assim como acontece com o caju tradicional, o fruto verdadeiro é a castanha presa à extremidade.
O cajuzinho costuma apresentar cores que variam entre amarelo e vermelho. É menor que o caju comum, tem polpa suculenta e sabor ácido. Uma referência da Central do Cerrado indica peso geralmente entre 5 e 12 gramas para o Anacardium humile.

O nome popular, porém, pode identificar mais de uma espécie. A Embrapa descreve o Anacardium humile como um arbusto baixo, encontrado também em Goiás. Pesquisas conduzidas no estado estudam ainda o Anacardium othonianum, conhecido como caju-arbóreo-do-cerrado.
Como o cajuzinho pode virar vinho
A acidez e o aroma permitem que a polpa seja utilizada na produção de bebidas fermentadas. Em materiais técnicos, o produto aparece descrito como vinho ou fermentado de cajuzinho, obtido a partir da fermentação da parte carnosa.
A Embrapa cita o consumo in natura e o processamento em sucos, doces e vinho fermentado entre os usos do Anacardium humile. A castanha também pode ser consumida, desde que passe pelo processamento adequado, como ocorre com a castanha do caju tradicional.
Pesquisas em Goiás avaliam conservação e aproveitamento
Um estudo publicado em agosto de 2026 analisou frutos e pseudofrutos de 15 subpopulações naturais de Anacardium othonianum. Os pesquisadores encontraram diferenças significativas de massa, tamanho, espessura e coloração entre plantas e regiões.
Essa diversidade pode ajudar na escolha de matrizes com características desejáveis para conservação e futuros programas de melhoramento. O estudo, que reuniu pesquisadores da UFG, do Instituto Federal Goiano, da Universidade de Rio Verde e de outras instituições, identificou predominância da coloração vermelho-alaranjada.
Outra pesquisa do Instituto Federal Goiano avaliou plantas de Silvânia, Orizona, Vianópolis e Luziânia. Nas condições do experimento, o armazenamento a 5 °C apresentou o melhor resultado. O trabalho também produziu balas macias e duras com o pseudofruto e realizou testes de aceitação com 120 participantes.
Até os resíduos despertam interesse científico. Uma dissertação da UFG analisou material obtido de produtores de Jaraguá e encontrou fibras e compostos fenólicos no resíduo do cajuzinho. Os resultados foram obtidos em laboratório e indicam potencial para novos ingredientes, sem comprovar efeitos diretos na saúde humana.
Safra se aproxima com a chegada das chuvas
Para o Anacardium humile, a Embrapa situa a floração entre agosto e novembro, depois das primeiras chuvas, e a frutificação entre outubro e dezembro. O período pode variar conforme a espécie, o município e as condições climáticas.
A proximidade da safra torna setembro uma janela favorável para apresentar a fruta ao público. Além da curiosidade, o cajuzinho mostra como espécies nativas ainda pouco conhecidas podem reunir alimentação, pesquisa, conservação e geração de renda no Cerrado.

