Valorização da Engenharia é essencial para o desenvolvimento do País

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Valorização da Engenharia é essencial para o desenvolvimento do País

Há uma relação direta entre a disponibilidade de profissionais de Engenharia e o nível de desenvolvimento e crescimento econômico de um país. “Todos os casos de quem conseguiu sustentar a economia forte ou passou por uma transformação positiva nas últimas décadas envolvem a ampliação do índice de profissionais de Engenharia”, diz Vinicius Marchese Marinelli, presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).

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A média atual brasileira é de 5,5 engenheiros para cada mil habitantes. Projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que o ideal seria ter pelo menos três vezes mais. Em países como Alemanha, Japão e Estados Unidos, a proporção chega a 25 profissionais por mil habitantes. Marchese cita Portugal e Peru como exemplos de países que associaram recentemente a ampliação do número de engenheiros ao desenvolvimento econômico.

Na China, que ele acaba de visitar, o índice vem subindo e já chega a 13 profissionais para cada mil habitantes, mesmo com a população de 1,4 bilhão de pessoas. “Há metas regionais para a formação de engenheiros e uma forte cobrança do governo central para que as metas sejam alcançadas”, descreve o presidente do Confea. “Trata-se de um projeto de política pública, de pensamento de longo prazo, algo que está faltando no Brasil.”

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Gargalo estrutural

Apesar do entendimento claro sobre a importância de formar engenheiros, o Brasil enfrenta sérias dificuldades nesse sentido. A queda média no ingresso em cursos universitários das Engenharias no País é de 23% nos últimos oito anos, chegando a 52% quando se trata da Engenharia Civil, a especialidade mais procurada – trata-se da área de formação de 44% dos profissionais registrados no Confea.

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Os fatores que levaram a esse cenário são múltiplos, a começar pela dificuldade estrutural do Brasil em relação às Ciências Exatas. Disciplinas como Matemática e Física são geralmente classificadas como “muito difíceis” desde os primeiros anos do ensino fundamental, o que contribui para que grande parte dos estudantes nem cogite as Engenharias e outros tantos desistam dos cursos depois do ingresso, por considerá-los difíceis de acompanhar.

Outro ponto, na visão do presidente do Confea, é que as diretrizes curriculares dos cursos de Engenharia não vêm sendo atualizadas na velocidade exigida pelas transformações do mercado. “É preciso que haja aplicações práticas desde o início do curso, para que os estudantes se sintam realmente envolvidos com o aprendizado”, ele diz. Além das dificuldades específicas dos cursos de Engenharia, é justo ressaltar que há uma queda geral do interesse por cursos universitários no Brasil.

Carreira bonita

Para Marchese, o caminho é fomentar desde cedo, e de forma lúdica, o interesse das crianças pelas Engenharias. “Mostrar que é uma carreira bonita, que pode levar à construção de prédios, foguetes, estradas.” Outro desafio é atrair mais meninas, contrariando a visão arraigada na sociedade de que “Engenharia é profissão de homem”.

Hoje, 80% dos profissionais registrados no Confea são homens, mas a participação feminina vem aumentando. Enquanto 36% das mulheres foram registradas nos últimos cinco anos, esse índice é de 24% entre os homens. Outra evidência da crescente participação feminina é a média de idade – 38 anos entre as mulheres, ante 43 anos entre os homens.

Outro possível avanço destacado pelo presidente do Confea é criar melhores condições de atratividade para o serviço público, responsável por empregar 11% dos profissionais atualmente registrados no Conselho. Entre os demais, 40% trabalham em empresas privadas com carteira assinada, 20% são empresários/empregadores, 16% trabalham para empresas privadas como pessoas jurídicas e 13% atuam como profissionais liberais.

Distribuição de renda

Em contrapartida às dificuldades para formar engenheiros, a demanda é crescente. Todos os setores vistos como promissores na economia brasileira oferecem espaço para profissionais com essa formação. É o caso de construção civil, tecnologia, energia, sustentabilidade, infraestrutura e agronegócio. Além do mercado financeiro, cada vez mais interessado em contar com profissionais habilitados em raciocínio lógico.

O Censo Confea 2024, pesquisa recente realizada pelo Sistema Confea/Crea e Mútua, em parceria com o Instituto Quaest, deixou claro que o problema certamente não está na falta de atrativos da carreira. Foram ouvidos 48 mil profissionais das áreas de Engenharia, Agronomia e Geociências, registrados no Conselho Federal, e as conclusões gerais apontam para uma série de atributos positivos: renda acima da média, ascensão rápida, empregabilidade, alto nível de satisfação e sensação de que a atividade contribui para melhorar a sociedade (confira mais detalhes no infográfico acima).

A pesquisa revelou que as Engenharias oferecem melhores condições de remuneração do que outra carreira clássica, o Direito. Enquanto 68% dos profissionais registrados no Confea possuem renda mensal familiar superior a cinco salários mínimos, esse índice é de 48% entre os advogados, de acordo com levantamento semelhante realizado recentemente pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “Acredito que um dos motivos é que nas empresas de Engenharia há uma melhor distribuição de renda do que nos escritórios de advocacia”, compara o presidente do Confea. Outro ponto destacado por Marchese é que os engenheiros muitas vezes caminham naturalmente para cargos de gestão – o que, em geral, envolve aumento da renda.

Outra constatação da pesquisa é que grande parte dos profissionais registrados no Confea – 78% – tem feito todos os movimentos de carreira sem abandonar a área original de formação. Destacam-se nesse ponto as áreas de Geologia (85%), Engenharia Civil (83%) e Segurança no Trabalho (83%).

Informar e inspirar

Maior pesquisa quantitativa realizada na história do Sistema, o Censo ouviu 44 mil registrados no Confea, o que corresponde a 3,5% do quadro atual do Conselho, composto por 1,25 milhão de profissionais. A coleta dos dados foi realizada em todos os Estados brasileiros entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025.

Para Felipe Nunes, CEO da Quaest, a pesquisa demonstra a força do mercado de Engenharia no Brasil. “Além de satisfeitos, os engenheiros têm renda muito acima da média nacional, e se sentem vocacionados a contribuir para a construção de projetos de impacto para o País.” Nunes observa que o estudo vai ajudar jovens de todas as partes do País a compreender melhor o futuro que espera por eles nas Engenharias. “Os resultados são inspiração para quem sonha em seguir a carreira.”

O Confea pretende aprofundar ainda mais o conhecimento da categoria. “Essa pesquisa é o início de um mapeamento que ajudará a reverter um quadro muito desfavorável ao Brasil”, diz Marchese. “Somos um país que está se adaptando à falta de profissionais especializados, mas não podemos simplesmente aceitar isso.”

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