Exportações para o bloco europeu somaram mais de US$ 1,8 bilhão em 2025 — Foto: Freepik
A União Europeia vai encaminhar ao governo brasileiro uma lista com apontamentos de melhorias necessárias nas garantias adicionais de cumprimento do regulamento de uso de antibióticos na cadeia animal nos próximos dias.
A ideia é que as respostas, separadas por tipo de proteína, sejam enviadas em até duas semanas para avaliação e validação do bloco para possível reinclusão do Brasil na lista de países autorizados a exportar animais e derivados para alimentação para lá.
Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, esse é um primeiro avanço que permitirá ao Brasil refinar as sugestões de mecanismos de controle do uso desses insumos. Em outra frente, o país tem cobrado um tratamento melhor na parceria comercial com os europeus.
Na manhã desta quarta-feira (13/5), o chefe da delegação brasileira junto à UE, embaixador Pedro Miguel, e o adido agrícola no bloco, Nilton Morais, se reuniram com a Direção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar (DG Sante) do bloco europeu para tratar do tema e traçar o plano de trabalho.
“O primeiro grande avanço é que vão separar por proteína, pois tem umas mais difíceis de resolver, e enviarão listas por proteína daquilo que, na visão deles, estaria faltando para as garantias adicionais em relação aos antimicrobianos”, disse Rua à reportagem. “A ideia é que em até duas semanas o Brasil possa enviar as respostas para eles poderem avaliar”, completou.
A UE não deu um prazo final para essa avaliação. “Tem que ser rápido . Esse tema é prioridade do governo brasileiro”, indicou o secretário.
Ele chegou há pouco para uma reunião com a embaixadora da UE no Brasil, Marian Schuegraf. Na conversa, vai enfatizar a cobrança do governo brasileiro por melhor tratamento. “Bons parceiros merecem ser tratados como bons parceiros. Estamos passando essa mensagem. Temos que ser tratados assim. Firmamos um acordo agora, exportamos há 40 anos, somos líderes de exportação”, explicou.
Rua enfatizou que o Brasil já cumpre as exigências e vai conseguir “demonstrar claramente que tem condições de continuar exportando” para lá. Ele explicou que as indicações da UE serão analisadas para elaborar as versões finais dos protocolos privados, que precisam ser feitos pelos setores e controlados pelo Ministério da Agricultura.
Ele reforçou que o tema é complexo, mas que o Brasil conseguirá atender às exigências adicionais. “Já temos discussões bastante avançadas [com os setores envolvidos], temos que refinar a partir da lista de sugestões que a UE vai enviar”, disse.
Ele afirmou ainda que o canal de diálogo negocial foi estabelecido e que espera avançar com rapidez no assunto para evitar qualquer interrupção nas exportações para o bloco europeu, que somaram mais de US$ 1,8 bilhão em 2025.
**O jornalista viaja a convite da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes)

