A startup brasileira Inralt certificou um sistema portátil baseado em inteligência artificial (IA) e raios X para análise química de fertilizantes no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Desenvolvida em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), a tecnologia pode reduzir o tempo de análises laboratoriais de dias ou semanas para cerca de dois minutos, segundo a agtech.
De acordo com Marcos Gomes, fundador da Inralt, até então, apenas laboratórios convencionais possuíam métodos certificados pelo Mapa para esse tipo de análise. A certificação, além de garantir padrão de qualidade, também traz validade legal aos laudos, que podem ser usados para contestar eventuais inadequações dos produtos.
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Velocidade
O equipamento emite feixes de raios X de alta energia sobre a amostra e identifica os elementos químicos a partir do reflexo emitido (espectros de luz) por cada composto, como em uma impressão digital. Os algoritmos de IA entram no processo para interpretar os dados e ampliar a precisão das análises.
“O raio X para análise já existia. O que fizemos foi acoplar inteligência artificial para aumentar robustez, velocidade e precisão. Antes, apenas cerca de 30% das amostras ficavam dentro das especificações exigidas. Hoje, superamos 90%”, explica.
Segundo ele, a melhoria permitiu atender critérios regulatórios rigorosos, como testes de seletividade, recuperação e reprodutibilidade. Além da precisão, o principal diferencial está na velocidade operacional. Enquanto análises convencionais podem levar dias, a nova metodologia entrega resultados em aproximadamente dois minutos, independentemente do número de parâmetros avaliados.
“O uso de novas tecnologias analíticas é fundamental porque os laboratórios precisam acompanhar a crescente velocidade dos processos industriais. O rendimento analítico pode ser de 10 a 25 vezes superior”, afirma Marcos Kamogawa, professor do Departamento de Ciências Exatas da Esalq.
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Portátil
Segundo a Inralt, o sistema portátil também reduz custos e simplifica a estrutura laboratorial. Como dispensa reagentes químicos e reduz etapas manuais, o investimento para implantação de um laboratório baseado na tecnologia seria até 60% menor em relação aos modelos tradicionais.
A startup trabalha com dois modelos de negócio, prestação de serviços laboratoriais a campo e instalação do módulo diretamente em indústrias ou fazendas.
“Quando o módulo é instalado na operação do cliente, o custo de operação fica em torno da metade de um laboratório convencional”, afirma Gomes.
A tecnologia também é aplicada em análises de folhas e grãos e, segundo a empresa, deve avançar nos próximos meses para certificações envolvendo macronutrientes secundários e micronutrientes.

