A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) reduziu nesta quarta-feira (8/4) suas projeções para o seguro rural e espera agora uma queda de 3,9% na arrecadação em 2026. Anteriormente, a expectativa era de um avanço de 2,3%.
Com a redução das estimativas, a entidade deve revisar para baixo suas projeções gerais para o setor. O esperado, até o momento, é de crescimento de 8% neste ano, desconsiderando o resultado com previdência aberta.
“Ainda não tivemos neste ano os recursos que seriam necessários para retomar o crescimento do seguro rural. Esse é hoje o elemento principal que está emperrando”, disse Dyogo Oliveira, presidente da entidade, a jornalistas.
Segundo Oliveira, hoje o Tesouro tem uma dívida com as seguradoras de cerca de R$ 500 milhões, referentes a valores da subvenção liberados e ainda não quitados. “Isso está dentro de um cronograma de pagamento que a própria regulamentação permite, mas, de qualquer forma, é um sinal amarelo. O Tesouro não está pagando nem a subvenção que ele mesmo liberou. A situação está ficando realmente complexa”, afirmou.
Em 2025, a arrecadação com seguro rural somou R$ 12,91 bilhões, com redução de quase 9% ante 2024, diante da queda do orçamento dos programas de subsídio do governo. Também encolheu a área segurada, que saiu de 13,7 milhões em 2021 para 3,2 milhões de hectares em 2025.
Muitos produtores contrataram o seguro na confiança de que teria a subvenção e hoje estão tendo que arcar com o custo diretamente, afirmou Oliveira. “O efeito deletério disso é extremamente grave porque, ao reduzir a área coberta do seguro, você aumenta o custo médio”, disse.
Mais cedo, durante evento sobre crédito e seguro rural, o presidente da CNseg criticou a condução desses programas e o corte dos recursos. “Temos tido miopia do governo a respeito disso, estão fazendo economia de palito de fósforo: para economizar R$ 400 milhões ou R$ 500 milhões no seguro rural, gastam R$ 20 bilhões ou R$ 30 bilhões na renegociação de dívidas desses produtores que, se tivessem seguro, não estariam endividados nem gerando custo para o Tesouro Nacional e encarecendo o crédito para outros produtores rurais”, disse.
Oliveira afirmou ainda que o modelo de agronegócio do Brasil é sofisticado, inclusive a infraestrutura financeira usada para fomentar a produção, mas que o apoio ao crédito “monopolizou” a atenção da política pública brasileira. “Por isso temos R$ 600 bilhões no Plano Safra e apenas R$ 500 milhões no seguro rural”, criticou.
O orçamento federal para subsidiar parte dos financiamentos foi de R$ 18,9 bilhões em 2025. Para o PSR, foram destinados R$ 1,06 bilhão inicialmente, mas houve cortes e bloqueios. O valor utilizado ficou em R$ 565,4 milhões para novas apólices. Outros R$ 67 milhões foram usados para quitar dívidas com seguradoras de 2024.
Fonte: Globo Rural

