Seca-dos-ponteiros exige manejo integrado no café

Banner Mutua

Seca-dos-ponteiros exige manejo integrado no café

 

PUBLICIDADE
Sicoob Engecred

A seca-dos-ponteiros está entre as doenças que mais preocupam os cafeicultores por comprometer o desenvolvimento dos ramos produtivos e reduzir o potencial de rendimento das lavouras. Associada principalmente ao fungo Colletotrichum gloeosporioides, a enfermidade provoca seca dos ponteiros, queda de folhas e perdas de produtividade. O controle químico, no entanto, deve ser adotado apenas quando houver risco econômico comprovado, aliado ao manejo cultural e ao monitoramento constante da lavoura.

O problema é recorrente em diferentes regiões produtoras e se torna mais evidente em plantas submetidas a estresse, seja por déficit hídrico, excesso de carga na safra anterior, deficiência nutricional ou falhas no manejo. Nessas condições, muitos produtores recorrem aos fungicidas como primeira alternativa, mas a recomendação técnica é que a decisão seja baseada em critérios agronômicos e não apenas na presença dos sintomas.

PUBLICIDADE
Sicoob Engecred

A seca-dos-ponteiros é caracterizada pela morte regressiva das extremidades dos ramos e, em muitos casos, está relacionada à antracnose causada por Colletotrichum gloeosporioides e espécies semelhantes. O fungo sobrevive em restos culturais, ramos doentes e frutos mumificados, produzindo esporos que são disseminados principalmente pelos respingos de chuva, infectando folhas, ramos e frutos.

PUBLICIDADE
Sicoob Engecred

Entre os principais sintomas estão lesões escuras em folhas e ramos, seguidas pela necrose das extremidades, desfolha e redução da emissão de novos ramos produtivos. O avanço da doença compromete diretamente a capacidade de frutificação das plantas e reduz a formação de estruturas que sustentam as próximas safras.

O diagnóstico correto é considerado o primeiro passo antes da adoção de qualquer estratégia de controle. Os sintomas podem ser confundidos com danos provocados por seca, geadas, fitotoxicidade ou outras doenças. Nos ramos, a necrose costuma começar pelos ponteiros e avança em direção à base. Nas folhas, surgem manchas pardas ou escuras, enquanto a distribuição dos danos tende a ser mais intensa nas partes superiores e externas da copa.

A diferenciação em relação a outros problemas é essencial para evitar intervenções desnecessárias. Enquanto o estresse hídrico provoca seca mais uniforme e sem lesões típicas, e a geada causa queimaduras generalizadas nas folhas, a seca-dos-ponteiros apresenta evolução localizada e progressiva nos ramos. Em caso de dúvida, a confirmação por meio de laboratório especializado é indicada.

A ocorrência da doença depende de fatores ambientais e do manejo adotado na propriedade. Alta umidade na copa, temperaturas favoráveis ao fungo e alternância entre períodos chuvosos e secos criam condições para a infecção. Plantios adensados, ausência de podas, restos vegetais contaminados, deficiência nutricional, excesso de carga de frutos e estresse hídrico também favorecem o desenvolvimento do problema.

Os impactos vão além da perda imediata de ramos. A doença reduz o número de estruturas produtivas, compromete a emissão de novos ramos, aumenta a necessidade de podas para recuperação das plantas e pode provocar perdas de produtividade por mais de uma safra, dependendo da intensidade dos ataques.

O controle químico não é recomendado para qualquer ocorrência da doença. A aplicação de fungicidas deve ser considerada apenas quando houver elevada incidência em ramos produtivos, histórico de surtos severos, presença de cultivares mais suscetíveis e previsão de condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do fungo. Nessas situações, o risco de perdas econômicas pode justificar a intervenção.

Antes da aplicação, é necessário realizar uma avaliação detalhada do talhão, observando a distribuição dos sintomas, a quantidade de ramos afetados, o histórico da área e as condições climáticas previstas. A decisão deve considerar também o estágio da cultura, o potencial produtivo e a meta de produção da lavoura.

Caso o controle químico seja indicado, a escolha do fungicida, do grupo químico, da época e do número de aplicações deve ser feita por engenheiro agrônomo, utilizando exclusivamente produtos registrados para a cultura do café e para o controle de doenças causadas por Colletotrichum, sempre respeitando as orientações de bula, o receituário agronômico, os períodos de carência e o uso de equipamentos de proteção individual.

Mesmo quando há necessidade de aplicação de fungicidas, o manejo cultural continua sendo a principal ferramenta de prevenção. Podas sanitárias, melhoria da circulação de ar na copa, equilíbrio nutricional, manejo adequado da carga de frutos e eliminação de ramos e frutos contaminados reduzem a pressão da doença e aumentam a eficiência das demais medidas de controle.

O uso de fungicidas exige responsabilidade técnica e cumprimento da legislação. Além da utilização de produtos registrados e da emissão de receituário agronômico, o produtor deve calibrar corretamente os pulverizadores, respeitar o intervalo de segurança antes da colheita e realizar o armazenamento e o descarte das embalagens conforme as normas vigentes.

Antes de optar pelo controle químico, o produtor deve confirmar que os sintomas realmente correspondem à seca-dos-ponteiros, avaliar a intensidade da doença, analisar o histórico da área, priorizar práticas culturais e contar com orientação técnica para verificar se o nível de dano econômico justifica a aplicação. O manejo integrado continua sendo a estratégia mais eficiente para preservar a sanidade do cafezal e reduzir perdas de produtividade.

Publicidade

Basket (0)
Seu carrinho está vazio.
plugins premium WordPress
Select the fields to be shown. Others will be hidden. Drag and drop to rearrange the order.
  • Image
  • SKU
  • Rating
  • Price
  • Stock
  • Availability
  • Add to cart
  • Description
  • Content
  • Weight
  • Dimensions
  • Additional information
Click outside to hide the comparison bar
Compare