O agronegócio brasileiro deve enfrentar mais um ano de margens pressionadas e crédito mais seletivo na safra 2026/27, enquanto o avanço de um El Niño possivelmente forte adiciona incertezas sobre a produção e os preços agrícolas, segundo analistas do Itaú BBA. Em encontro com jornalistas, em São Paulo, eles apresentaram projeções para as principais commodities agrícolas produzidas pelo Brasil.
Segundo Pedro Fernandes, diretor de agronegócios do Itaú BBA, a “seletividade” se tornou uma das principais palavras do mercado neste momento. Com a rentabilidade mais apertada, parte relevante da renda dos produtores tem sido consumida pelo pagamento de dívidas, criando desafios para financiar a próxima safra.
Segundo os analistas, o clima será o principal fator de risco para a próxima temporada. Um El Niño intenso poderia provocar perdas em regiões produtoras importantes, especialmente em Mato Grosso, tornando o equilíbrio global entre oferta e demanda de grãos mais sensível e abrindo espaço para reações nos preços.
Apesar disso, o cenário-base do banco continua sendo de uma safra brasileira robusta. Para a soja, a expectativa é de nova produção elevada no Brasil e de oferta global ainda confortável, embora o crescimento da área plantada esteja desacelerando.
No milho, as atenções se voltam para a segunda safra, que pode ser impactada por atrasos no plantio da soja causados por irregularidades climáticas.
Já no algodão, a perspectiva é de queda da produção global e continuidade do crescimento das exportações brasileiras.
Na cana-de-açúcar, a expectativa é de aumento da moagem no Centro-Sul, embora o resultado final dependa das condições climáticas durante a colheita e o processamento.
Os especialistas também alertaram para os desafios relacionados aos fertilizantes. A recente queda da ureia trouxe alívio para produtores de milho, mas os mercados de fosfatados e enxofre continuam gerando preocupação.

