Em seu último levantamento sobre a produção brasileira de grãos na safra 2025/26, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima que o Brasil deve colher um total de 361,7 milhões de toneladas de grãos e fibras. O volume representa uma alta de 2,6% em relação à temporada anterior e de 0,3% frente ao levantamento de agosto.
A estimativa incorpora o avanço da colheita do milho segunda safra, que registra produtividades acima do previsto.
No geral, soja, milho e algodão apresentam crescimento em 2025/26, enquanto arroz, feijão e trigo recuaram frente ao ciclo anterior. A soja deve atingir 180,4 milhões de toneladas, e o trigo apresenta o maior recuo, de 27,1%.
Entre os dados apurados pela Companhia, a área de plantio no país cresceu 1,7% em comparação com o ciclo 2024/25 e alcançou 83,5 milhões de hectares. Os maiores incrementos ocorreram na cultura da soja, que incorporou 1,3 milhão de hectares (2,7%), no milho, com aumento de 762,5 mil hectares (3,5%), e no sorgo, com alta de 32,9% (537 mil hectares).
Soja
Carro-chefe da agricultura nacional, a safra de soja está projetada em 180,4 milhões de toneladas, a maior produção já registrada na série de acompanhamento da Conab. O montante representa uma alta de 5,2% sobre o ciclo anterior, com expansão de 2,7% na área plantada e ganho de 2,5% na produtividade. As exportações devem atingir patamar recorde com embarques previstos em 116,2 milhões de toneladas.
Milho
O volume total de milho está calculado em 144 milhões de toneladas, crescimento de 2% sobre a temporada anterior. A primeira safra registra produtividade recorde de 7.191 kg/ha (alta de 8,8%), enquanto a segunda safra prevê 112,1 milhões de toneladas, ficando apenas 1% abaixo do recorde anterior. Já a terceira safra deve recuar 20,1%, para 2,39 milhões de toneladas.
Algodão
Para o algodão, a previsão indica 4,14 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26, maior volume da série histórica. Mesmo com a retração de 3,2% na área cultivada (estimada em 2,02 milhões de hectares), a produtividade das lavouras avança 4,9% e atinge o pico de 2.053 kg/ha de pluma. A produção supera em 1,5% o resultado de 2024/25 e fica 1,4% acima da estimativa de agosto.
Feijão
Do lado das quedas, a produção de feijão é estimada em 2,95 milhões de toneladas, o que confirma um recuo de 3,6% em relação ao período anterior. A retração decorre principalmente da redução de 5,7% na área cultivada, embora o rendimento médio tenha crescido 2,2%, alcançando 1.161 kg/ha. Para o abastecimento doméstico, a demanda projetada é de 2,7 milhões de toneladas, mantendo o patamar da safra passada.
Arroz
A safra de arroz também ficou menor, com estimativa de 11,08 milhões de toneladas em 2025/26, o que significa uma queda de 13,2% em relação ao ciclo anterior. A retração reflete principalmente a redução de 14% na área plantada – calculada em 1,52 milhão de hectares –, apesar do ganho de 1% na produtividade média, que chega a 7.303 kg/ha. Segundo o levantamento da Conab, a opção por menor área decorre de preços menos remuneradores ao produtor e da migração para culturas como soja e milho.
Trigo
Em relação aos cultivos de inverno, a produção de trigo deve alcançar 5,74 milhões de toneladas em 2025/26, queda de 27,1% em relação ao ciclo passado. O recuo reflete a redução de 21,2% na área cultivada e da menor produtividade média (2.978 kg/ha, queda de 7,5%). Com a retração na oferta nacional, as importações do cereal são estimadas em 7,06 milhões de toneladas.
A Conab informa que continuará atualizando os dados das culturas que ainda permanecem em campo, caso do trigo, nos próximos levantamentos.

