Giovanni Porfírio, do Giro do Boi, destacou que a regularização ambiental passou a ocupar posição estratégica na gestão das propriedades rurais, com reflexos que vão além do cumprimento da legislação. A conformidade do Cadastro Ambiental Rural (CAR), das Áreas de Preservação Permanente (APPs), da Reserva Legal e dos programas de recuperação ambiental influencia o acesso ao crédito, a comercialização da produção e a relação com compradores e instituições financeiras, consolidando a dimensão territorial como elemento central da atividade agropecuária.
Segundo o especialista ouvido pela reportagem, a primeira etapa para a regularização consiste em verificar se o CAR representa corretamente a realidade física da propriedade. Caso existam passivos ambientais não registrados, a atualização cadastral é necessária para viabilizar a adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), instrumento que permite a recuperação gradual das áreas degradadas ao longo de até vinte anos. A medida busca compatibilizar a recomposição ambiental com a continuidade da atividade produtiva.
A reportagem também ressalta que o diagnóstico técnico da propriedade passou a desempenhar papel decisivo na definição das estratégias de recuperação ambiental. A identificação das características do solo, do grau de degradação e das condições da vegetação permite direcionar as intervenções de forma mais eficiente, evitando investimentos inadequados e reduzindo riscos durante a execução dos projetos de restauração. No território, esse diagnóstico torna-se uma etapa fundamental para orientar decisões sobre uso, conservação e planejamento da paisagem rural.
Outro aspecto destacado é que os passivos ambientais permanecem vinculados ao imóvel, independentemente da mudança de proprietário. Isso amplia a importância das diligências territoriais antes da compra de fazendas, exigindo consultas aos sistemas oficiais, análise da documentação ambiental e verificação das condições efetivas da área. A regularização ambiental passa, assim, a integrar os processos de avaliação patrimonial e de segurança jurídica das transações imobiliárias rurais.
A tendência apontada é de intensificação do monitoramento territorial por imagens de satélite e outras tecnologias de sensoriamento remoto, reduzindo o intervalo entre a ocorrência de alterações ambientais e sua identificação pelos órgãos públicos e pelo mercado. Nesse cenário, a gestão territorial das propriedades deixa de ser apenas um requisito regulatório e passa a constituir um ativo econômico, influenciando financiamento, comercialização, investimentos e planejamento de longo prazo.
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ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

