Recuperar a Mata Atlântica é investir na produção do futuro

Banner Mutua

Recuperar a Mata Atlântica é investir na produção do futuro

A regeneração natural da Mata Atlântica tem avançado nos últimos anos, mas a perda precoce de florestas jovens ainda representa um desafio para a conservação e para a sustentabilidade da produção agropecuária.

PUBLICIDADE
Sicoob Engecred

Em entrevista ao Mundo Agro, Rubens Benini, diretor de Estratégia de Florestas e Restauração Florestal da TNC Brasil, explica como mecanismos como o mercado de carbono e o Pagamento por Serviços Ambientais podem ajudar a transformar a floresta em pé em um ativo econômico para o produtor rural.

Mundo Agro: O que explica o avanço da regeneração natural da Mata Atlântica nos últimos anos e por que tantas florestas jovens ainda desaparecem antes de amadurecer?

PUBLICIDADE
Sicoob Engecred

Rubens Benini: A regeneração natural da vegetação nativa da Mata Atlântica é um processo fundamental para restaurar áreas degradadas, especialmente porque permite a restauração dessas áreas de maneira mais eficiente e com menor custo.

PUBLICIDADE
Sicoob Engecred

Contudo, o desafio está em garantir que essas florestas atinjam a maturidade, pois muitas vezes são perdidas antes desse estágio devido à pressão por uso do solo, quando há outras atividades competindo pelo uso da área, e à falta de proteção adequada, sejam barreiras físicas, como cercas, ou políticas públicas que estimulem a conservação.

Importante observar que nem sempre é possível conduzir a regeneração natural. Em alguns contextos é necessário lançar mão de outras técnicas, como plantio total, semeadura direta e outros processos de restauração. Esta avaliação é feita com base no nível de degradação e histórico da área, considerando fatores como compactação do solo, presença de espécies invasoras e conectividade com fragmentos florestais próximos.

Mundo Agro: Como transformar a floresta em pé em um ativo econômico viável para o produtor rural, sem comprometer produtividade e renda?

Rubens Benini: O Pagamento por Serviços Ambientais é uma ferramenta estratégica para incentivar proprietários rurais a manterem áreas de floresta em pé e também a recuperarem áreas degradadas. Este mecanismo reconhece e remunera os serviços ecossistêmicos prestados, como a conservação da biodiversidade, a regulação do clima e a proteção dos recursos hídricos.

Ampliar a escala desses programas é muito importante para fortalecer a recuperação da Mata Atlântica, ajudando a reduzir o falso conflito entre conservação e produção, já que, em uma propriedade rural, todas as áreas têm funções produtivas: algumas são destinadas a cultivos agrícolas, enquanto outras produzem água, regulam o clima e mantêm a fertilidade do solo. Ao integrar a floresta como parte do planejamento econômico da propriedade, o PSA contribui para uma visão mais integrada e resiliente da produção rural, na qual conservação e renda caminham juntas.

Mundo Agro: De que forma a perda de vegetação jovem impacta diretamente o agro, especialmente em disponibilidade hídrica, qualidade do solo e estabilidade climática?

Rubens Benini: A conservação da Mata Atlântica contribui diretamente para a produtividade agrícola ao garantir maior estabilidade climática, melhoria da qualidade da água e maior disponibilidade hídrica, inclusive em períodos de estiagem, presença de polinizadores (fundamentais na produção de alimento) e proteção dos solos contra erosão. Esses benefícios não se restringem às áreas rurais.

A conservação impacta positivamente o cotidiano das cidades ao assegurar o abastecimento de água, reduzir os riscos de desastres naturais, como enchentes e deslizamentos, e melhorar a qualidade de vida da população de uma forma geral.

Mundo Agro: O mercado de carbono e os programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) já são suficientes para escalar a restauração florestal no Brasil?

Rubens Benini: A valorização das florestas como ativos econômicos, especialmente pelo mercado de carbono, vem crescendo e se consolidando como uma alternativa interessante para produtores rurais. Com políticas públicas adequadas, critérios claros de integridade socioambiental e sistemas de certificação robustos, é possível gerar receita a partir da manutenção das florestas e promover um equilíbrio entre produção agrícola e conservação ambiental.

No entanto, é importante ser transparente sobre os limites desses instrumentos. Trata-se de um processo oneroso e moroso, que envolve custos elevados de implementação, certificação e monitoramento.

Na prática, o mercado de carbono e o PSA raramente cobrem integralmente os custos da restauração florestal de longo prazo. Por isso, esses mecanismos devem ser vistos como parte de um conjunto mais amplo de políticas públicas e incentivos, e não como soluções isoladas.

Publicidade

Basket (0)
Seu carrinho está vazio.
plugins premium WordPress
Select the fields to be shown. Others will be hidden. Drag and drop to rearrange the order.
  • Image
  • SKU
  • Rating
  • Price
  • Stock
  • Availability
  • Add to cart
  • Description
  • Content
  • Weight
  • Dimensions
  • Additional information
Click outside to hide the comparison bar
Compare