Quem pode cultivar cannabis no Brasil? Saiba o que muda após decisão da Anvisa

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Quem pode cultivar cannabis no Brasil? Saiba o que muda após decisão da Anvisa

Após anos de debates em diferentes esferas sobre o cultivo de cannabis para uso medicinal no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em unanimidade, nesta quarta-feira (28/1), a norma que autoriza a produção da planta no território nacional.

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O documento considerou 29 consultas com associações de pacientes, experiências internacionais, análise de trabalhos científicos enviados por 139 pesquisadores e discussões envolvendo representantes do Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministério da Justiça e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Atualmente, no Brasil, há 49 produtos de cannabis medicinais autorizados, pertencentes a 24 empresas, todos aprovados pela Anvisa e disponíveis em farmácias. Além disso, cerca de 500 decisões judiciais permitem o plantio por pessoas físicas ou jurídicas e cinco Estados brasileiros já contam com leis que autorizam o cultivo de cannabis para fins medicinais, segundo o presidente da Anvisa, Leandro Safatle.

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“A evolução do uso desses produtos tem sido registrada no país principalmente pelo aumento de importações individuais. Entre 2015 e 2025, ou seja, nos últimos dez anos, foram mais de 660 mil autorizações individuais de importações”, afirma Safatle.

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Quando a liberação da cannabis entra em vigor?

 

Apesar do sinal positivo dado pelo colegiado da Anvisa, a liberação não é imediata e seguirá regras para que o uso medicinal e farmacêutico vinculado à proteção do direito à saúde seja ampliado ao longo de 2026. O texto ainda precisa ser publicado para dar cumprimento à determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), tomada em 13 de novembro de 2024, que reconheceu a legalidade da produção de cannabis.

A partir daí, a norma terá um prazo de seis meses para entrar em vigor. No caso das associações de pacientes que fazem uso de cannabis, a adequação chega a um ano.

Com a mudança no marco regulatório, o cultivo e a produção de cannabis medicinal passam a operar sob um conjunto mais rigoroso de exigências. O novo modelo amplia as responsabilidades dos autorizados e estabelece critérios técnicos para garantir segurança, controle e conformidade sanitária. Veja as principais regras:

Quem pode cultivar cannabis no Brasil?

 

Atualmente, só podem cultivar a cannabis pessoas, associações de pacientes e instituições de pesquisa com habeas corpus, ou seja, autorização judicial. Ainda assim, com a decisão, o cultivo da espécie não será permitido a qualquer pessoa. A resolução aprovada determina que a produção seja realizada exclusivamente por pessoas jurídicas, desde que haja autorização especial da Anvisa.

As entidades que conseguirem a liberação podem adquirir, cultivar, pesquisar, importar, armazenar, distribuir e fornecer cannabis com teor de THC igual ou inferior a 0,3% com finalidade comercial restrita ao uso medicinal.

No caso das pesquisas, a resolução da Anvisa não estabelece limite de THC e nem restringe os estudos ao objetivo de uso medicinal, embora estabeleça a necessidade de barreiras físicas na produção, vigilância 24 horas com sistema de câmera e alarme e controle de entradas e saídas.

 

 

cannabis — Foto: Globo Rural

cannabis — Foto: Globo Rural

 

Quem pode transportar cannabis no Brasil?

 

O transporte pode ser realizado somente por entidades autorizadas pela Anvisa. As embalagens devem possuir lacre numerado e conter o número do lote, a quantidade transportada e a identificação do remetente e do destinatário.

Quais informações devem ser apresentadas às autoridades sanitárias?

 

  • Indicação da área de cultivo com coordenadas geográficas georreferenciadas;
  • Descrição detalhada da área, acompanhada de registro fotográfico;
  • Estimativa da quantidade a ser cultivada por hectare e por metro quadrado;
  • Informação sobre a origem e a forma de acesso ao material de propagação;
  • Organograma com as responsabilidades e atribuições de cada cargo envolvido no cultivo;
  • Plano de controle e monitoramento;
  • Estimativa de produção contendo indicação da espécie vegetal, localização e extensão do cultivo, estimativa da produção, local de extração de substâncias e derivados, indicação da área dedicada ao cultivo, em metros quadrados e hectares e assinatura do responsável técnico.

 

Quais são as regras para distribuição e fornecimento de cannabis?

 

  • A distribuição é permitida apenas quando se tratar de material vegetal destinado ao cultivo por outras entidades detentoras de autorização;
  • Também é permitida a distribuição de material vegetal não destinado ao cultivo para fabricantes de insumos farmacêuticos, laboratórios, instituições de pesquisa e fabricantes de medicamentos;
  • O fornecimento com finalidade comercial é restrito exclusivamente a fins medicinais;
  • As atividades de distribuição e fornecimento devem respeitar os limites do teor de THC igual ou inferior a 0,3%.
  • Os produtores não podem vender ou doar a produção a pacientes e têm que comunicar às autoridades, em até 48 horas, os casos de roubo ou perda da produção.

Como é feito o controle do THC?

 

Todos os lotes devem ser submetidos à análise laboratorial para identificação do teor de THC. Caso sejam identificadas plantas com teor superior a 0,3%, essas devem ser mantidas em segurança e posteriormente destruídas ou inutilizadas, mediante medidas que impeçam o desvio e a disseminação no meio ambiente.

Quais são as restrições à importação e à exportação?

 

  • É proibida a exportação de cannabis, inclusive sementes;
  • Excepciona-se da proibição a devolução de material importado ao país de origem, quando necessário;
  • É proibida a importação e a exportação por bagagem acompanhada ou desacompanhada, Declaração Simplificada de Importação (DSI), remessas expressas ou postais;
  • A importação destinada a fins de pesquisa não está sujeita ao veto;
  • As operações devem atender aos requisitos do Ministério da Agricultura e Pecuária;
  • Deve ser apresentado documento que comprove a origem genética apta a produzir teor de THC igual ou inferior a 0,3%.

 

Quais regras os produtores devem seguir?

 

As atividades de cultivo e produção devem ser integralmente documentadas, registradas e mantidas atualizadas, com informações disponíveis no local para fins de fiscalização.

A cada aquisição, é obrigatória a guarda do documento que comprove a origem genética da espécie cultivada, bem como a identificação das plantas no local de cultivo, com indicação do número do lote, da etapa do cultivo, da data de início e da quantidade de plantas.

Devem ainda ser adotadas medidas para prevenir a disseminação da cannabis no meio ambiente, incluindo procedimentos específicos de contenção e, quando necessário, de destruição ou inutilização de plantas fora dos limites autorizados.

Além disso, é obrigatória a elaboração e o encaminhamento às autoridades sanitárias competentes dos balanços trimestrais e anuais de Substâncias Psicoativas e Outras Sujeitas a Controle Especial (BSPO).

Como é o cultivo de cannabis hoje no Brasil?

 

Até então, a legislação brasileira previa que apenas pessoas físicas, associações de pacientes e instituições de pesquisa com autorização judicial podiam cultivar cannabis para fins medicinais, mesmo após a validação do Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2024.

A estimativa da Associação Brasileira das Indústrias de Cannabis e Cânhamo (ABICANN) é que mais de 1,4 mil empresas atuam em diferentes elos da cadeia à base da planta no país. Já no cenário internacional, a abertura de mercados e a consolidação da indústria também vêm ampliando o acesso.

“Desde 2017, estamos mapeando e colaborando com a entrada de empresas internacionais, o que tem garantido acesso a mais de 1,2 milhão de pacientes”, destaca Thiago Ermano Jorge, pesquisador da Cannabis no Brasil e nas Américas, diretor-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Cannabis e Cânhamo (ABICANN) e diretor do Centro de Tecnologia e Inovação da Cannabis (CTICANN).

A expectativa, segundo o especialista ouvido pela Globo Rural, é de forte expansão nos próximos anos. “Por falta de uma legislação robusta ou pela omissão regulatória, omissão executiva e, principalmente, por omissão do Congresso Nacional, o Brasil ainda está longe de atrair mais de R$ 200 bilhões por ano, compreendendo e legislando para uso dessa rica cultivar. Acreditamos que mais de 20 milhões de pacientes no Brasil devam ter acesso à cannabis medicinal e terapêutica nos próximos cinco anos”.

No caso do cultivo de cannabis para uso pessoal, o que também acontece somente com autorização da Justiça, mais de 2 mil brasileiros obtiveram habeas corpus desde 2020. No entanto, sem uma regulamentação específica, pacientes e famílias precisaram assumir as etapas do processo, desde a obtenção da semente até a produção artesanal do medicamento.

“Eles tiveram, e ainda têm, que importar a semente, aprender a cultivar, esperar meses para ver se a flor vai se desenvolver, produzir o medicamento de forma caseira e, por fim, testar o resultado na própria pessoa doente. É um grande sacrifício. A ideia é ampliar o acesso ao produto final e permitir que pessoas jurídicas, em todos os setores, atuem para acelerar um ambiente estruturado de forma técnica, e não apenas sob uma visão política”, finaliza

Fonte: Globo Rural

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