Projeto da Nestlé fomenta uso de plantas de cobertura e rotação em áreas de cereais

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Projeto da Nestlé fomenta uso de plantas de cobertura e rotação em áreas de cereais

Com 70% de suas emissões de gases de efeito estufa oriundas da agricultura e uma meta de neutralizar suas emissões até 2050, a gigante suíça Nestlé busca avançar em sua política de incentivo à agricultura regenerativa como parte dos esforços de descarbonização. A companhia começou há dois anos a fomentar práticas sustentáveis em sua cadeia de fornecimento de cereais, e agora começa a medir os primeiros resultados.

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O projeto com essa cadeia começou com oito fazendas-piloto no Brasil, sendo três de cultivo de milho em Goiás e cinco no Paraná que plantam trigo e aveia. Em todo o país, a Nestlé adquire cereais de mais de 130 propriedades.

Para as fazendas escolhidas, a múlti oferece assistência técnica para incentivar a adoção de práticas regenerativas em parte de cada propriedade, somando até agora 2 mil hectares com técnicas aplicadas sob sua recomendação.

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Nesse período, as fazendas apoiadas aumentaram a quantidade de culturas em rotação de duas para quatro, e elevaram a adoção de plantas de cobertura — semeadas na entressafra das principais lavouras — de 14% da área agricultável nas propriedades para 50%, segundo Barbara Sollero, gerente-executiva de agricultura regenerativa da Nestlé Brasil.

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Essas e outras técnicas contribuíram para que medições de carbono no solo feitas pela ferramenta Cool Farm Tool indicasse uma diminuição de mais de 20% na pegada de carbono da produção avaliada de um ano para outro, afirma Sollero. Os dados foram auditados pela Ernest Young (EY).

A Cool Farm Tool adota critérios globais de mensuração de emissões na agropecuária, sem parâmetros “tropicalizados” — como defendem produtores e agrônomos brasileiros. Sollero admite que a ferramenta “está longe de ser a melhor”, mas “mostra uma evolução consistente no longo prazo”. “Somos uma empresa global e precisamos adotar uma única metodologia para fazer relatórios que comparem um país com outro.”

Em termos de desempenho das lavouras, a Nestlé diz que espera os resultados da aplicação das novas técnicas na produtividade agrícola ao longo de um período maior para avaliar se há “consistência”.

Os ganhos de produtividade são considerados cruciais entre os especialistas para convencer os agricultores a adotarem práticas regenerativas. E Sollero reconhece isso. “O produtor não vai fazer um trabalho que não tenha viabilidade econômica. Temos um piloto que significa pouco dentro de algumas fazendas, mas ampliamos as culturas de cobertura porque o produtor copiou nosso modelo e levou [a prática] para toda a fazenda. Isso nos dá segurança de que está sendo economicamente viável”, diz.

A executiva afirma que a companhia fará uma segunda mensuração das emissões de carbono neste ano sobre o de milho de segunda safra em Goiás.

Segundo João Araújo, gerente responsável pela cadeia de cereais na Nestlé Brasil, a adoção de culturas de cobertura é a principal prática regenerativa fomentada entre os produtores. A empresa recomenda cinco a sete sementes diferentes para esse tipo de plantio, cada um com uma função distinta. “Tem cultura que trabalha desde a descompactação do solo até a captura de nitrogênio. Com isso, conseguimos deixar o solo mais ocupado com raiz viva”, diz.

A técnica, segundo ele, permite até a redução do uso de herbicidas, pois as culturas de cobertura competem com as plantas daninhas, dificultando sua sobrevivência.

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