Produtor deve antecipar compra para evitar falta de fertilizantes

Banner Mutua

Produtor deve antecipar compra para evitar falta de fertilizantes

A safra de soja 2026/2027 pode ser impactada pela crise no mercado de fertilizantes, segundo dados divulgados pelo Sindiadubos-PR. O plantio começa em setembro, mas apenas cerca de 50% dos insumos necessários foram negociados, abaixo do padrão histórico para este período, o que aumenta o risco de escassez, gargalos logísticos e alta de custos para o produtor.

PUBLICIDADE
Sicoob Engecred

A crise no mercado brasileiro de fertilizantes, provocada pelos reflexos das guerras no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, acendeu um alerta para a próxima safra de soja. De acordo com informações do Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos-PR), o cenário combina riscos logísticos, possível escassez de produtos, elevação de custos e atraso dos agricultores na compra dos insumos.

Segundo o presidente do Sindiadubos-PR, Aluisio Schwartz, a conjuntura deve reduzir o uso de fertilizantes e, como consequência, afetar a produção agrícola em relação às estimativas da safra 2025/2026. “A combinação dos fatores globais e domésticos, como a taxação de PIS/COFINS sobre insumos agrícolas e a tabela do frete mínimo, deve reduzir o uso de fertilizantes e, consequentemente, diminuir a produção agrícola em relação às estimativas para a safra 2025/2026, o que significa que dificilmente chegaremos ao recorde de produção alcançado na safra passada”, afirmou.

PUBLICIDADE
Sicoob Engecred

De acordo com levantamento divulgado pelo Sindiadubos-PR, cerca de 50% dos fertilizantes necessários para a safra de soja foram negociados até o momento. Historicamente, o normal para este período do ano seria um volume acima de 60%, o que indica atraso na formação de estoques para o plantio que começa em setembro.

PUBLICIDADE
Sicoob Engecred

“O mercado na ponta travou devido às altas de preço, mas essa demora cria um risco iminente de escassez e gargalos logísticos”, apontou Schwartz. Segundo ele, as compras para os meses de maior chegada de fertilizantes aos portos brasileiros, entre junho e agosto, não estão ocorrendo em maio no ritmo esperado, o que pode concentrar a demanda em um período curto e pressionar a infraestrutura portuária.

Além da instabilidade internacional, o produtor enfrenta um ambiente de maior pressão financeira. De acordo com o presidente do Sindiadubos-PR, o aumento das recuperações judiciais restringe o crédito no setor, enquanto os custos operacionais seguem elevados por causa da taxação de PIS/Cofins sobre insumos, da fiscalização sobre o piso mínimo do frete e da alta do diesel. Schwartz afirmou que os produtores passaram a absorver 2% a mais pelos insumos em razão da taxação do PIS/Cofins, em vigor desde 1º de abril, além dos efeitos da Medida Provisória 1.343/26, que endureceu a fiscalização sobre o piso mínimo do frete. Nesse contexto, o custo de produção se aproxima de 50 a 55 sacos de soja por hectare, diante de uma produção média de 60 sacos.

As tensões internacionais também atingem diretamente a cadeia de suprimento. Segundo dados divulgados pelo Sindiadubos-PR, ataques de drones atingiram diferentes pontos de produção de matérias-primas e fertilizantes na Rússia, um dos maiores fornecedores de fosfato monoamônico, nitrato de amônia e ureia para o Brasil.

De acordo com o sindicato, os volumes de importação de fosfatados, incluindo MAP, NPs e superfosfato simples, caíram cerca de 900 mil toneladas de janeiro a maio deste ano na comparação com o mesmo período de 2025. Schwartz destacou ainda que a China, importante fornecedora em 2025, mantém restrições às exportações de fosfatados, enquanto os estoques de enxofre nos portos chineses estão nos menores níveis dos últimos cinco anos.

Para Schwartz, o produtor que adiar a decisão enfrenta três riscos principais: pagar mais caro pelo produto, não receber o insumo no momento adequado ou até não encontrar fertilizante disponível. O alerta do sindicato é para que o planejamento seja feito de forma estratégica, considerando tanto o custo financeiro da antecipação quanto o risco de deixar a compra para o período de maior demanda.

A possível redução no uso de fertilizantes preocupa porque o insumo é decisivo para manter o potencial produtivo da soja e de outras culturas. Caso a entrega caia entre 10% e 15%, como projeta o Sindiadubos-PR, o impacto poderá aparecer na produtividade, no custo por hectare e na capacidade do país de repetir o desempenho da safra passada.

Publicidade

Basket (0)
Seu carrinho está vazio.
plugins premium WordPress
Select the fields to be shown. Others will be hidden. Drag and drop to rearrange the order.
  • Image
  • SKU
  • Rating
  • Price
  • Stock
  • Availability
  • Add to cart
  • Description
  • Content
  • Weight
  • Dimensions
  • Additional information
Click outside to hide the comparison bar
Compare