Podridão branca da espiga: quando o controle compensa?

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Podridão branca da espiga: quando o controle compensa?

A podridão branca da espiga do milho segue entre as principais preocupações dos produtores nas regiões de safra e safrinha, especialmente no período entre abril e setembro, quando avançam as colheitas da segunda safra e começa o planejamento do próximo ciclo. Apesar da frequência da doença em áreas produtoras, especialistas alertam que o investimento em controle nem sempre garante retorno econômico ao produtor.

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A doença é causada principalmente por fungos do gênero Fusarium, como Fusarium verticillioides e Fusarium graminearum, que atacam os grãos e estruturas da espiga. A presença de micélio esbranquiçado, grãos chochos e perda de qualidade comercial estão entre os sintomas mais comuns. Além dos prejuízos produtivos, a doença também eleva o risco de contaminação por micotoxinas, como fumonisinas e zearalenona, fator que pode comprometer o uso do milho na alimentação animal.

A infecção costuma ocorrer em condições de alta umidade durante o florescimento e o enchimento de grãos, além de estar associada a ferimentos provocados por insetos, como lagarta-do-cartucho, broca-da-cana e percevejos. Restos culturais mal manejados e sementes contaminadas também contribuem para a disseminação do problema.

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Segundo a análise técnica, o impacto econômico da podridão branca varia conforme a intensidade da infecção, o estádio da cultura e as condições climáticas. Em lavouras com infecção precoce, ainda na fase de enchimento de grãos, as perdas tendem a ser maiores, afetando diretamente o peso dos grãos e a produtividade. Já em infecções tardias, próximas à maturidade fisiológica, os danos costumam se concentrar na qualidade do produto e na classificação comercial.

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Outro fator que pesa na tomada de decisão é o destino da produção. Em áreas destinadas à fabricação de ração, produção leiteira ou integração com cadeias de aves e suínos, a preocupação com micotoxinas aumenta. Em alguns casos, lotes podem sofrer desvalorização ou até rejeição.

O estudo destaca que a presença da doença, isoladamente, não é suficiente para justificar investimentos adicionais em controle. A recomendação é que o produtor avalie o percentual de espigas afetadas, a distribuição da doença no talhão, o potencial produtivo da área e os custos envolvidos nas medidas de manejo.

Em cenários de maior risco, como áreas com histórico recorrente da doença, híbridos suscetíveis, clima úmido e alto potencial produtivo, o manejo preventivo tende a apresentar melhor resultado econômico. Entre as estratégias mais indicadas estão o uso de híbridos tolerantes, rotação de culturas, manejo adequado da palhada e controle de insetos que provocam ferimentos nas espigas.

O conteúdo também alerta que aplicações de fungicidas, quando a doença já está instalada, costumam apresentar retorno limitado. “A eficiência é muito dependente de momento de aplicação (próximo ao florescimento), condições de clima, tecnologia de aplicação e suscetibilidade do híbrido”, informa o material técnico. Por isso, a decisão deve ser preventiva e baseada em histórico da área e avaliação agronômica.

Em situações de baixa incidência da doença, lavouras próximas da colheita ou áreas de baixo potencial produtivo, a tendência é de que o controle não compense financeiramente. Nesses casos, a recomendação é concentrar esforços na antecipação da colheita, na regulagem da colhedora, na secagem rápida dos grãos e no armazenamento adequado para evitar agravamento do problema.

O material ressalta ainda que a podridão branca deve ser analisada dentro do contexto do manejo integrado da lavoura, considerando fatores como população de plantas, equilíbrio nutricional, doenças foliares e controle de pragas.

Ao final, a orientação é para que qualquer decisão envolvendo produtos químicos siga as recomendações de um engenheiro agrônomo, respeitando rótulo, bula, uso de equipamentos de proteção individual e legislação vigente.

“A podridão branca da espiga do milho é uma doença importante, mas o controle só compensa economicamente em cenários onde o risco de perda de produtividade e qualidade é elevado, o potencial produtivo é alto e existem medidas eficazes disponíveis no momento certo”, conclui o documento técnico.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.

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