Pecuaristas apostam na demanda e na competitividade da carne bovina brasileira no mercado internacional para superar incertezas como a tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos. A Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ANCB) avalia que o mercado internacional precisa do produto, que é comercializado com preços inferiores aos dos principais concorrentes.
O presidente da ACNB, Victor Paulo Silva Miranda, disse acreditar que a tensão entre os governos Lula e Trump será superada em um prazo relativamente curto, insuficiente para causar danos significativos às exportações nem desequilíbrio de preços de boi para o pecuarista. E lembra que o rebanho bovino dos Estados Unidos está diminuindo, o que tende a elevar a demanda por carne importada.
“Não deve haver nenhum dano à exportação de carne vermelha, porque a demanda está aumentando. O Brasil precisa produzir em quantidade, qualidade e conquistar novos mercados. E os americanos vão voltar a comprar”, disse ele. “Se os Estados Unidos não quiserem comprar, vamos mandar para a Europa, China, Indonésia. A carne vermelha do Brasil está bastante procurada”, acrescentou.
A avaliação do pecuarista converge com a postura da indústria, que, nesta terça-feira (15/7), esteve representada em reunião setorial com representantes do governo federal. Em alguns estados, frigoríficos interromperam a produção de carne direcionada para o mercado americano. E a continuidade dos embarques do produto para o país está sendo reavaliada pela indústria.
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Presidente da ACNB, Victor Paulo Silva Miranda — Foto: ACNB/Divulgação
Mercado interno
O presidente da ACNB descartou também consequências significativas do tarifaço americano ao mercado interno de carne bovina. Miranda afirmou que o consumo do produto pelos brasileiros é crescente, de modo geral. E a exigência de produtos de melhor qualidade também.
Fonte: Globo Rural

