O ministro da Fazenda, Guilherme Durigan, entrou na pauta do agronegócio com três sinalizações importantes. Primeiro: defendeu a expansão dos biocombustíveis como política de Estado. Segundo: reconheceu que a inadimplência no crédito rural está entre 5% e 6% e prometeu estruturar uma saída para as dívidas acumuladas no campo. Terceiro: deixou claro que o governo vai dar suporte ao setor, sem, contudo, anunciar números concretos ainda.
O contexto pesa. O agronegócio acumula pressão de dívidas renegociadas diversas vezes, especialmente em soja e algodão no Centro-Oeste. A inadimplência nessa faixa é considerada “gerenciável” pelo governo, mas para o produtor endividado, a conta é bem menos abstrata. Só que…
O Plano Safra 2026/27, previsto para ser anunciado em 1º de julho, deve trazer volume de recursos abaixo do solicitado pela bancada ruralista. O setor pedia pelo menos R$ 600 bilhões em crédito; a estimativa do governo está entre R$ 570 e R$ 580 bilhões. A diferença parece pequena no papel, mas representa bilhões a menos em crédito subsidiado disponível para a campanha agrícola que começa em agosto.
E ainda tem o cacau na pauta: a MP 1341/2026 foi aprovada na comissão especial do Congresso. Ela reduz o prazo do drawback de cacau de 1 ano para 6 meses, pressionando a indústria que precisa importar matéria-prima para manter as fábricas rodando. O MDIC decide sobre prorrogação, e a conta, se não vier, pode chegar a R$ 230 milhões anuais em perdas para o setor.
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