Na luta para destravar a produtividade da cana, estagnada há duas décadas, uma nova variedade conseguiu em um teste recente mais que dobrar a produtividade agrícola na comparação com a média no setor.
Finalizado em julho, o experimento conduzido pela Bambuí Bioenergia, em Bambuí (MG), em parceria com o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), foi um dos primeiros em formato de colheita comercial da variedade CTC9009, lançada em 2023.
O resultado mostrou um crescimento expressivo do volume de cana por hectare (TCH), que ficou em 160,53 toneladas, ante a média registrada na safra 2025/26 no Centro-Sul (de 74,6 toneladas a 75,5 toneladas por hectare).
A quantidade de açúcar por hectare (TAH) também mais que dobrou, atingiu 21,83 toneladas por hectare, ante 10,2 toneladas por hectare, na média, na passada.
Já o ATR ficou parelho com a média no País, em cerca de 135 quilos de açúcar por tonelada em ambos os casos, evidenciando que os ganhos de rendimento na lavoura não foram replicados na extração de açúcar pós-colheita.
O teste na Bambuí envolveu outras três novas variedades, com faixas de mais de mil metros para cada uma, mas a CTC9009 teve um desempenho mais de 20% melhor do que as outras, diz Henrique D’Avila, gerente de Desenvolvimento de Mercado no CTC.
Segundo ele, a “campeã” é fruto de um programa robusto de genéticas customizadas para operações e regiões diferentes. “As novas variedades têm rendido um ganho de rendimento de 3% ao ano. Nos últimos cinco anos, lançamos mais de dez delas e entregamos 15% de potencial produtividade adicional.”
O ambiente ajudou
As notícias são boas, mas precisam ser dosadas com o fato de que o ambiente do teste na Bambuí ofereceu condições melhores do que as que se encontraria na prática nas lavouras em larga escala.
A CTC9009 é indicada para as categorias A, B e C, em uma escala de classificação de ambientes de produção que vai de A a E. No teste, foi submetida aos cenários A e B, ou seja, às condições mais privilegiadas de clima e solo, entre outros quesitos.
A cana foi colhida em primeiro corte, enquanto a média do setor é de cinco cortes. E a colheita aconteceu aos 11 meses de idade, enquanto em plantações de inverno iniciadas em agosto, como no caso do teste, colhe-se entre 11 e 18 meses. Ou seja: em ambos os casos, o experimento se beneficiou dos momentos de maior produtividade da planta.

