Pecuaristas, o agronegócio brasileiro enfrenta prejuízos anuais que podem ultrapassar a marca de R$ 35 bilhões devido aos nematoides, parasitas que afetam diversas culturas e, especialmente, as pastagens. No entanto, uma nova forrageira é capaz de minimar essas perdas. Assista ao vídeo abaixo.
A Embrapa Pecuária Sudeste desenvolveu uma solução promissora para esse problema: a cultivar BRS Guatã, uma nova variedade de feijão-guandu (Cajanus cajan) que se destaca por suas múltiplas funcionalidades.
Nesta quarta-feira (23), Frederico Pina da Matta, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, detalhou os benefícios do BRS Guatã durante a Dinapec 2025, em Campo Grande (MS).
Ele explicou como essa leguminosa rica em proteína não só auxilia na alimentação do gado, mas também combate eficientemente os nematoides e contribui para a recuperação de áreas de pasto degradadas.
BRS Guatã: o poder antinematóide
A BRS Guatã é uma cultivar especial com duplo propósito. Além de suas já conhecidas funções como forrageira e auxiliar na recuperação de pastagens, ela se destaca por sua notável capacidade de reduzir a população de quatro nematoides específicos: Pratylenchus brachyurus, Pratylenchus zeae, Meloidogyne javanica e Meloidogyne incognita.
Quando presentes, esses nematoides se alojam no sistema radicular das plantas, causando deformações que impedem a absorção adequada de nutrientes e água, o que leva a perdas significativas de produtividade e, em casos extremos, à perda total da lavoura.
Além do controle de nematoides, a forrageira BRS Guatã oferece importantes benefícios para a pecuária, tornando-se uma aliada valiosa para a sustentabilidade e produtividade da propriedade:
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- Recuperação de pastagens degradadas: A leguminosa auxilia de forma eficaz na revitalização de áreas de pasto que estão comprometidas, melhorando a estrutura e fertilidade do solo.
- Alimento proteico na seca: Por ser rica em proteína (com teores entre 13% e 18% na fase reprodutiva e 18% a 20% no período vegetativo) e, especialmente, por sua tolerância à seca, o guandu se torna uma alternativa estratégica para a alimentação do gado no período de estiagem, quando a qualidade e a disponibilidade do capim diminuem drasticamente.
- Biodescompactação e aporte de biomassa: Suas raízes profundas contribuem para a descompactação do solo, melhorando a aeração e a infiltração de água. Além disso, a produção de matéria seca (que pode chegar a 15 toneladas por hectare) e o aporte de nitrogênio (até 380 kg/ha) enriquecem o sistema, beneficiando as pastagens e culturas subsequentes.
Estudos realizados pela Embrapa demonstram que a consorciação de capins tropicais com guandu aumenta o ganho de peso dos animais, reduz o tempo até o abate e eleva o ganho de peso por hectare.
Um exemplo é o caso de novilhas nelore em pastejo de braquiária consorciada com guandu, que apresentaram melhor desempenho e permitiram maior lotação animal, sem a necessidade de suplementação proteica mineral, que é uma prática comum e onerosa durante o período seco.
Manejo e versatilidade
A implantação da BRS Guatã representa um pacote tecnológico completo, adaptável a diferentes objetivos do pecuarista.
Ao utilizá-la como forrageira, ela pode ser plantada consorciada com a gramínea existente na pastagem. Contudo, se o objetivo principal for o controle de nematoides, é recomendado o plantio solteiro para maximizar sua ação.
Uma característica interessante do guandu é que ele não é muito preferido pelos animais em seu período juvenil (época das águas), mas sua palatabilidade aumenta significativamente na fase reprodutiva (meio da seca), quando o capim já está seco e com menor valor nutricional.
Isso garante que os animais consumam o guandu exatamente quando mais precisam de uma fonte de proteína de qualidade.
A BRS Guatã oferece grande versatilidade no manejo: pode ser utilizada para pastejo direto ou cortada e fornecida no cocho, substituindo parte do proteinado.
Essa leguminosa, além de seus benefícios diretos na pecuária (como alimento e controle de pragas), contribui para a construção de sistemas produtivos mais sustentáveis, alinhados com as metas de baixo carbono e de preservação ambiental.
Fonte: Canal Rural

