O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (6/6), que o agronegócio não é um “quebra-galho”, mas o principal setor da economia brasileira. Em sua avaliação, o avanço do setor permitirá o país crescer mais neste ano.
Lula discursou na cerimônia de entrega do certificado internacional de país livre de febre aftosa sem a necessidade de vacinação, por parte da Organização Internacional de Saúde Animal (OMSA). Disse que o novo status sanitário, reconhece produtores e frigoríficos brasileiros como “cidadãos de primeira categoria”.
“É um dia histórico, por merecimento de cada um de vocês [produtores e frigoríficos] que entenderam que se a gente quer competir a gente tem que ser o melhor. A gente quer produzir a melhor carne, a mais saudável, e queremos disputar os mercados do mundo inteiro com quem quer que seja”, afirmou o presidente, que recebeu o certificado oficial da diretora-geral da OMSA, Emmanuelle Soubeyran.
Exigências “absurdas”
Lula disse que a certificação da OMSA mostra que o Brasil consegue “trabalhar e agradar” pessoas que muitas vezes “não conhecem o Brasil nem os produtores”, e também é capaz de cumprir exigências “absurdas” impostas na relação comercial com as empresas brasileiras.
O presidente aproveitou a cerimônia para, mais uma vez, defender o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que enfrenta resistência do governo francês.
Lula disse que o Brasil foi tatado durante muito tempo como um “país insignificante”, mas que alcançou outro patamar por fazer “cada vez melhor”.
“Se quiser ser respeitado, ganhar mais espaço, temos que fazer o melhor e cada vez melhor. Não |existe mais gracinha, possibilidade de enganar ninguém”, afirmou.
O presidente disse também que o Brasil “não quer ser grande apenas em manutenção de florestas” em pé. “Nascemos para ser bons em tudo”, disse. Ele pontuou, por outro lado, que a atenção coma sustentabilidade e a questão climática “não é menos importante”.
“Carne, café, soja, milho, carro. Tudo o que a gente produzir e vender tem a necessidade de cuidar do meio ambiente. Se tivermos a decência de cumprir o Acordo de Paris, estaremos livres para produzirmos o que quisermos”, afirmou Lula, informando que, em outubro, fará uma missão comercial à Ásia para “vender o que a gente produzir”
Empresários defendem acordo Mercosul-UE
Empresários brasileiros que participam da missão oficial do país à França também cobram celeridade na conclusão e entrada em vigor do acordo. Durante um fórum organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em Paris, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban o executivo disse que não há “mais tempo” para esperar e que é preciso aproveitar o atual momento geopolítico.
“Sei que o [presidente francês Emmanuel] Macron falou ontem (quinta-feira) no jantar que o acordo ainda precisa de ajustes. Vamos parar de enxergar o copo meio cheio, não tem mais tempo. Vamos aproveitar a oportunidade da geopolítica. Não podemos passar mais 20 anos fazendo ajustes”, completou, pontuando que “ajustes sempre serão necessários”.
Nessa quinta-feira (5/6), o presidente francês Emmanual Macron fez novas ressalvas ao acordo, e citou, principalmente, a preocupação com o possível impacto dos termos comerciais aos agricultores franceses. Segundo ele, o tratado Mercosul-União Europeia pode ser um risco para o agronegócio local. “Temos que aprimorar o acordo e trabalhar para ter cláusulas de salvaguarda”, disse.
Lula fez apelos ao francês e pediu para que Macron “abra o coração” para o acordo. Lula ressaltou que espera “fechar” em até seis meses — período em que o Brasil estará à frente do Mercosul — o acordo comercial com os europeus. “Quero lhe comunicar que não deixarei a presidência do Mercosul sem concluir o acordo”, disse ao se dirigir a Macron.


