A convocação de Neymar de certa forma resume o grupo escolhido por Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026. Ainda com questões pendentes às vésperas da convocação, o italiano apostou nas chamadas “bolas de segurança”. A principal delas, o próprio camisa 10 do Santos, que entra para claramente assumir a liderança (não necessariamente dentro de campo) de um grupo cujas principais estrelas até então (Raphinha e Vini Jr) não conseguiram justificar o protagonismo depositado nelas.
Neymar não foi a única aposta na experiência. O perfil do grupo, de uma maneira geral, é este. Dado significativo neste sentido é o fato de 15 dos 26 chamados terem disputado o Mundial do Catar. Representa um recorde no número de “veteranos” na seleção brasileira em Copas neste século.
Outra surpresa da convocação, a presença de Weverton também resolve um problema que vinha se impondo nas últimas semanas: a falta de confiança no goleiros. Com Alisson há dois meses sem atuar e Ederson oscilando em campo, a figura do terceiro arqueiro ganhou uma importância maior do que em outras edições. E Bento e Hugo Souza, os maiores candidatos a esta última vaga, vinham colecionando falhas que deixaram o torcedor preocupado — pelo visto, a comissão técnica também.
Aos 38 anos, sendo 17 de carreira, campeão olímpico em 2016 e presente no grupo do Catar-22, Weverton segue tendo atuações seguras pelo Grêmio. Apesar de surpreendente, sua presença na lista é compreensível e foi festejada pelo público presente na convocação. Uma escolha que, a depender da evolução física de Alisson, pode inclusive passar à frente na fila da posição.
Analisando por setor, a defesa e o meio foram aqueles em que Ancelotti não surpreendeu. Justamente posições em que o técnico já tinha seus nomes bem definidos: Marquinhos e Gabriel Magalhães lideram atrás, e Casemiro e Bruno Guimarães mais à frente.
Isso não significa que o italiano fechou os olhos para o “novo”. Rendeu-se a Endrick, a Danilo (o do Botafogo), a Luiz Henrique, a Igor Thiago (ainda que este soe uma escolhe precipitada) e a Rayan. Jogadores que cresceram nesta reta final de ciclo por seus clubes e/ou com a camisa da seleção — ao contrário de João Pedro, que acabou ficando de fora justamente por não ter aproveitado as chances dadas e pela queda de rendimento no Chelsea.
O italiano estava com a mente tão aberta a novas ideias que chamou sete atletas convocados pela primeira vez por ele nos amistosos de março (contra França e Croácia), os últimos antes do anúncio da lista da Copa. Em condições normais, até seria um sinal de falta de convicção. Mas, neste ciclo tão conturbado e em se tratando de um técnico há apenas um ano no cargo, soa compreensível. E, no fim, pode até dar certo. Agora é torcer.

