O limão-caviar é um dos destaques da 51ª Expocitros, feira voltada para a citricultura que acontece nesta semana em Cordeirópolis (SP). Apesar da fruta ser pequena, não passa despercebida no estande do Centro de Citricultura, já que tem uma textura diferente daquela que estamos acostumados a encontrar nos mercados.
Aliás, achar a fruta em algum mercado não é algo comum. Segundo Rodrigo Boaretto, pesquisador do Centro de Citricultura, é raro encontrar a iguaria até mesmo em hortifrútis de alto padrão. “A produção é ínfima e costuma vir de pequenos produtores que entregam diretamente para chefs específicos ou restaurantes”. Segundo o especialista, é um fruto novo e exótico no mercado brasileiro.
E é essa exclusividade que torna o limão-caviar tão caro: o quilo pode variar entre R$ 800 e R$ 2 mil. O preço alto está ligado à baixa disponibilidade e ao caráter de novidade de algo que ainda não é de conhecimento geral da população, segundo Luana Aparecida Castilho Maro, engenheira agrônoma e pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).
“É um fruto alongado com contorno ovoide que remete a um dedo. Há uma grande variedade de cores de casca, que vai do preto ao amarelo ou verde. Além disso, o albedo ou mesocarpo – parte branca e fibrosa – são quase inexistentes quando comparado ao de outras espécies”, afirma a especialista.
Segundo Boaretto, do Centro de Citricultura, o cítrico tem sido utilizado no mercado gourmet para finalizar pratos. “É um movimento relativamente recente. A gastronomia vem dando cada vez mais relevância a produtos diferenciados”.
A complexidade sensorial do limão-caviar o torna maleável para diferentes finalizações em pratos de carnes, peixes e saladas. As pequenas “bolinhas” chamadas de vesículas estouram na boca ao morder, explica Boaretto. “Em vez de espremer limão, você coloca as bolinhas por cima, e elas vão estourando na boca conforme você come”.
A explicação do nome está justamente nas vesículas, que são como bolhas, parecidas com o caviar (ovas de esturjão consumidas frescas ou pasteurizadas), mas em cores diferentes, dependendo das cultivares.

