Inteligência artificial ‘enxerga’ defeitos invisíveis em sementes e eleva padrão no campo

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Inteligência artificial ‘enxerga’ defeitos invisíveis em sementes e eleva padrão no campo

Semente boa se faz no campo, diz um antigo ditado desse segmento. A expressão traduz a crença de que nada substitui as boas práticas agrícolas e o acompanhamento das lavouras. Porém, nos últimos anos, a incorporação da inteligência artificial tem permitido à indústria aperfeiçoar processos e alcançar mais eficiência e padronização nas análises das sementes.

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Multiplicadora de sementes de trigo e de soja, a Sementes Butiá, com sede em Passo Fundo (RS), investiu há dois anos na aquisição de uma máquina importada da Alemanha. O equipamento, um classificador óptico, faz a leitura da morfologia das sementes, descartando aquelas que apresentam alguma inconformidade.

Segundo a empresa, trata-se da única máquina semelhante em atividade no Rio Grande do Sul. A indústria de beneficiamento de sementes está localizada em Coxilha (RS).

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Por meio de câmeras, a máquina identifica anomalias como manchas, deformações e sementes esverdeadas, características que podem afetar o desempenho do produto final. O grão descartado é destinado à extração de óleo ou ração animal.

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“Isso traz uma confiança de que aquilo que estamos levando para o agricultor tem máxima qualidade. Assim, conseguimos realmente ter a maior eficiência e maior segurança na hora de terminar o produto e entregar ao agricultor”, afirma Verônica Bertagnolli, diretora comercial da Sementes Butiá.

empresa produz anualmente 550 mil sacas de sementes de soja e 90 mil de sementes de trigo. Fundada em 1950, a Butiá começou a atuar com sementes em 1976, e seu nome foi inspirado nos butiazeiros, uma espécie de palmeira encontrada na região.

A diretora comercial diz que o processo produtivo era praticamente o mesmo antes da chegada da inteligência artificial, porém a nova tecnologia permite uma maior lapidação final, ao observar detalhes que passariam despercebidos ao olho humano em um grande volume de sementes.

“O sistema de análise de qualidade de sementes é muito manual, os testes são demorados e muitos ainda exigem análise a olho nu. A tecnologia entra como suporte para dar poder de decisão e reduzir o erro”, explica o biotecnologista Thiago Castro Felix, um dos fundadores da startup Singular SeedS, criada na Unicamp, em Campinas, no interior paulista, em 2024.

Felix e o sócio Caio Contiero Rosa desenvolveram, em parceria com o Senai, um equipamento que analisa sementes de soja, milho, café e outros grãos, usando tecnologia de machine learning. Segundo ele, um sistema óptico capta as imagens do material, que então são analisadas.

A startup presta serviços para produtoras e distribuidoras de sementes e laboratórios de análises de qualidade.

Uso da tecnologia

 

De acordo com Felix, a incorporação da IA deve continuar crescendo, uma vez que o agronegócio sempre está em busca de inovação para otimizar processos. Além disso, ele vê o produtor sendo beneficiado ao ter mais segurança em relação à semente que está adquirindo.

O uso da IA alcança também a pesquisa e o desenvolvimento de novas variedades. A multinacional Syngenta investe anualmente US$ 2 bilhões em sua rede global de centros de pesquisa, com foco no desenvolvimento de inovações para a agricultura. A IA, segundo a empresa, permite melhorar a qualidade e a velocidade das informações.

“Tradicionalmente, para se chegar a um híbrido de sucesso ou a uma nova molécula, são necessários inúmeros testes de campo, que dependem de diversas safras e levam muito tempo”, afirma Fabrício Passini, diretor de Agronomia na Syngenta Seeds.

Nesse sentido, o papel da IA é auxiliar na análise complexa dos dados coletados nos testes a campo. Mas a aplicação da tecnologia no dia a dia vai além da análise de dados e inclui a automação de processos (robotização em casas de vegetação, por exemplo), bioinformática, fenotipagem digital e melhoramento genético.

“Além da genética, a IA otimiza a eficiência operacional ao mitigar desperdícios na cadeia de suprimentos e no processamento”, afirma Passini.

Fonte: Globo Rural

Foto: Danton Boatini Júnior

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