Os sistemas de integração pecuária-agricultura entregam mais resultados ao produtor do que as duas atividades realizadas de forma separada. Essa é a conclusão de um estudo realizado no Rio Grande do Sul e apresentado durante a XXI Jornada Nespro e II Congresso de Criadores, em Porto Alegre.
Um experimento de 25 anos conduzido em lavouras gaúchas de soja mostrou que a produtividade oscilou entre mais de 70 sacas de soja por hectare em anos com boas condições climáticas para menos de 10 sacas em anos de seca. A média de rendimento ao longo do período foi de 47 sacas por hectares.
“No ano em que acontece essa perda, a propriedade agrícola entra na UTI e dificilmente sai. O gado mantém a estabilidade do siste”, afirma o pesquisador professor do Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).
Além da estabilidade financeira, novos estudos apontam que o pastoreio dos animais ajuda até na prevenção de períodos de seca. Utilizando tecnologia de análise do solo em 3D, os cientistas descobriram que, sob o efeito do pastejo moderado, os macroporos do solo tornam-se mais conectados, permitindo captar e guardar significativamente mais água.
As modificações físico-químicas e biológicas promovidas pela presença bovina resultam em um incremento de 14% na capacidade de retenção de água do solo. Aumenta também a diversidade do solo, com incremento de 140% na presença de fungos desejáveis em áreas com gado, o que facilita a absorção de fósforo pela soja, resultando em aumento progressivo na produtividade da leguminosa.

