Indonésia instala quilômetros de barreiras de bambu, acalma as ondas e faz a costa voltar a ganhar terra com o retorno dos manguezais

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Indonésia instala quilômetros de barreiras de bambu, acalma as ondas e faz a costa voltar a ganhar terra com o retorno dos manguezais

Estruturas simples de bambu no mar raso ajudam a diminuir a força das ondas e reter sedimentos na costa indonésia, criando condições para o manguezal voltar a crescer e proteger comunidades. Projeto em Demak combina engenharia costeira e restauração ecológica, com resultados documentados.

Na costa norte da ilha de Java, na Indonésia, uma faixa de litoral que vinha perdendo terreno para o mar passou a apostar em uma defesa que parece improvisada à primeira vista, mas segue princípios reconhecidos de engenharia costeira e restauração ecológica: estruturas permeáveis feitas com bambu e materiais naturais, montadas em trechos rasos, para reduzir a energia das ondas e reter sedimentos.

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O objetivo é simples e direto: estabilizar o ambiente físico para que os manguezais voltem a se estabelecer e, com eles, retomar uma barreira viva capaz de proteger comunidades, áreas produtivas e infraestrutura costeira.

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Erosão costeira em Demak e a perda de proteção natural

O caso ganhou projeção internacional no distrito de Demak, em Java Central, onde a erosão e o alagamento recorrente avançaram sobre antigas áreas de aquicultura, estradas e moradias.

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A região reúne condições comuns a muitos litorais tropicais: solo lodoso e fino, influência de marés, ventos sazonais e uma linha de costa historicamente protegida por cinturões de mangue.

Quando essa proteção natural é reduzida, o sistema perde estabilidade e a força das ondas encontra menos resistência antes de atingir o interior.

 

Foi nesse cenário que o chamado “Building with Nature” passou a ser aplicado como uma resposta prática ao colapso costeiro.

Em vez de apostar apenas em obras rígidas de contenção, a proposta combina intervenção de baixa complexidade com processos naturais já presentes no local.

A lógica é criar uma zona de águas mais calmas, onde partículas de lama e areia em suspensão consigam se depositar novamente, elevando o fundo e reconstituindo uma plataforma favorável para que sementes e mudas de mangue sobrevivam.

Como funcionam as estruturas permeáveis no mar raso

Os diques permeáveis não funcionam como um muro.

 

Eles são montados como fileiras de estacas de bambu, muitas vezes preenchidas com galhos, ramos e materiais vegetais, formando uma barreira “vazada”.

A água continua passando, mas perde velocidade e parte da energia que carregaria até a costa.

Na prática, essa perda de energia reduz a capacidade das ondas de remobilizar o sedimento fino.

Com o fluxo mais lento e menos turbulento, a lama se acomoda, o nível do solo começa a subir atrás da barreira e o ambiente fica mais estável para a regeneração do manguezal.

Por que o manguezal não volta sozinho em áreas muito erodidas

Demak é um exemplo emblemático porque a erosão ali não tem uma única causa.

 

A região é descrita por instituições envolvidas no projeto como uma área marcada por perda de terra, inundações costeiras e degradação ambiental associada, entre outros fatores, à mudança do uso do solo, à conversão de manguezais para aquicultura e a pressões físicas que alteram o equilíbrio entre deposição e retirada de sedimentos.

Em muitos pontos do litoral, a linha de costa se tornou mais vulnerável justamente onde antes havia um “cinturão” de mangue capaz de amortecer ondas e manter o solo consolidado por raízes densas.

A restauração do manguezal, porém, não é automática quando o terreno já está erodido.

 

Em ambientes onde o fundo ficou baixo demais e a energia das ondas continua alta, mudas plantadas podem ser arrancadas e sementes podem não se fixar.

Por isso, as estruturas de bambu entram como a primeira etapa de um processo: criar uma janela de estabilidade física, tempo suficiente para que o mangue volte a cumprir sua função de “engenheiro ecológico” e passe a manter o sedimento no lugar por conta própria.

Recuperação de sedimentos e regeneração do mangue

O projeto descrito por organizações parceiras em Demak também inclui ações além da linha d’água.

 

A publicação da Wetlands International sobre a implementação em escala de paisagem aponta que, junto às estruturas permeáveis para retenção de lama e estabilização da costa, houve esforço para melhorar práticas de aquicultura, com a intenção de reduzir pressões que afetam o litoral e aumentar a viabilidade econômica local.

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Esse componente é tratado como parte do mesmo problema: quando a costa entra em colapso, a perda de terra atinge diretamente viveiros, rotas de acesso, serviços públicos e a renda das famílias que dependem do litoral.

Ao longo da implementação documentada, a regeneração de manguezais foi incentivada em um trecho amplo da costa.

A Wetlands International registra que a abordagem buscou favorecer a regeneração natural ao longo de cerca de 20 quilômetros, com intervenções e aprendizados acumulados entre 2015 e 2021.

A estratégia foi acompanhada por parceria com instituições de pesquisa e engenharia, além de órgãos do governo indonésio, justamente para ajustar o desenho das estruturas às condições locais de maré, ondas e disponibilidade de sedimentos.

 

Engenharia costeira: dissipar energia sem “rebote” de ondas

Na leitura técnica, a grande vantagem das estruturas permeáveis é que elas dissipam energia sem criar um “rebote” forte de ondas, comum em certas barreiras rígidas que refletem a água.

Em litorais lodosos, a reflexão pode intensificar turbulência e dificultar o acúmulo de sedimento.

Ao permitir passagem de água, o dique permeável busca reduzir o estresse hidrodinâmico sem interromper totalmente a circulação, o que ajuda a manter processos ecológicos e minimiza impactos sobre a fauna costeira que usa áreas rasas como abrigo e alimentação.

 

Manguezais como barreira viva e proteção de longo prazo

O retorno do manguezal muda o patamar de proteção.

As raízes aéreas e subterrâneas aumentam a rugosidade do ambiente, freiam correntes, filtram partículas e ampliam a retenção de sedimentos, transformando a “defesa provisória” em um sistema natural mais durável.

 

Ao mesmo tempo, manguezais são reconhecidos por seu papel como viveiro de espécies marinhas e por armazenarem grandes quantidades de carbono no solo, o que adiciona relevância ambiental a um projeto inicialmente motivado por segurança costeira.

A experiência em Demak também virou vitrine por outro motivo: ela foi organizada como um esforço de colaboração entre organizações ambientais, consórcios técnicos, universidades e ministérios indonésios ligados ao mar e à infraestrutura.

A Wetlands International descreve essa articulação como parte central do projeto, incluindo ações de treinamento e troca de conhecimento voltadas a ampliar a adoção do método em outros pontos vulneráveis.

Em um litoral onde milhões de pessoas vivem de atividades próximas ao mar, a promessa de uma solução de menor custo relativo e compatível com ecossistemas costeiros chama atenção de governos locais e de pesquisadores.

Ainda assim, o método não é apresentado como um “truque” instantâneo.

 

As próprias descrições do projeto enfatizam que ele depende de condições específicas, como oferta suficiente de sedimentos e desenho adequado às ondas locais, além de manutenção das estruturas e gestão das atividades humanas que continuam influenciando a costa.

A ideia central, no entanto, permanece: quando a erosão é agravada pela perda de uma barreira natural, reconstruir as condições para que essa barreira volte pode ser mais eficiente do que tentar substituir a natureza com concreto.

 

Fonte: CPG Click Petróleo e Gás

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