Há mais de 20 anos, engenheiro agrônomo produz cachaça artesanal em Minas Gerais usando cana especial, leveduras selecionadas e reaproveitamento do bagaço

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Há mais de 20 anos, engenheiro agrônomo produz cachaça artesanal em Minas Gerais usando cana especial, leveduras selecionadas e reaproveitamento do bagaço

Em Monte Alegre de Minas, no Triângulo Mineiro, a cachaça artesanal produzida por Walter Cunha combina técnicas agrícolas com práticas desenvolvidas ao longo de mais de duas décadas. Engenheiro agrônomo, ele iniciou a produção em 2003 e mantém consumidores que acompanham o trabalho desde as primeiras garrafas.

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A qualidade da bebida começa ainda no campo, especialmente na definição do período de colheita. A propriedade utiliza uma variedade de cana-de-açúcar escolhida para apresentar maior concentração de açúcar durante os meses secos, quando as condições favorecem o aumento do chamado grau Brix.

Cachaça artesanal depende do momento da colheita

O calendário tem papel importante na produção. Entre junho e agosto, a cana costuma apresentar maior quantidade de açúcar, enquanto a presença de chuva pode alterar essa concentração e interferir diretamente no processo posterior.

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Para preservar as características da matéria-prima, o corte ocorre manualmente nas primeiras horas do dia. Depois de retirada do campo, a cana precisa chegar rapidamente à moagem: o intervalo máximo adotado é de aproximadamente 12 horas, evitando que a fermentação comece antes da etapa planejada.

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Como o açúcar vira álcool no engenho

Depois da moagem, o caldo extraído da cana, conhecido como garapa, passa por ajustes antes de entrar nos recipientes de fermentação. Inicialmente, o líquido pode apresentar entre 18 e 20 graus Brix, mas esse índice é reduzido para uma faixa próxima de 14 a 15.

A mudança cria condições adequadas para a atuação da levedura Saccharomyces cerevisiae, responsável pela transformação dos açúcares em álcool. A temperatura do ambiente também interfere na velocidade da fermentação, realizada sem a inclusão de produtos químicos.

Cachaça artesanal passa por destilação seletiva

Antes e durante o processamento, diferentes partes da produção são aproveitadas. O caldo é filtrado, enquanto o bagaço restante da cana alimenta a caldeira do engenho, reduzindo o desperdício e fornecendo energia para as operações.

A destilação representa uma das etapas decisivas para a bebida. O líquido é separado em três frações: a primeira, chamada cabeça, é retirada por conter compostos indesejáveis, incluindo metanol; posteriormente vem o coração, considerado a parte nobre aproveitada na produção.

A etapa final é conhecida como cauda e também é descartada. A destilação pode durar entre três e quatro horas, dependendo das condições do dia, e o processo segue até que a bebida alcance aproximadamente 40% a 41% de teor alcoólico.

Tradição mineira mantém produção desde 2003

O trabalho desenvolvido em Monte Alegre de Minas mostra como a cachaça artesanal depende de uma sequência de decisões que começa muito antes da destilação. Seleção da cana, época de corte, controle do açúcar, fermentação e separação das frações influenciam diretamente o resultado final.

Ao unir formação em agronomia e experiência acumulada desde 2003, Walter Cunha mantém uma produção que atravessa gerações de consumidores e reforça a presença da cachaça artesanal como parte da tradição produtiva de Minas Gerais.

Fonte: r7

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