A Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, lançou um novo edital para a compra de sementes da palmeira-juçara (Euterpe edulis) e reajustou em 23% o valor pago pelo produto em relação a 2025. Com isso, o preço chega a R$15 por quilo, praticamente o dobro do valor praticado no início do programa, em 2021.
A juçara ocupa um papel estratégico na dinâmica da floresta, a espécie produz frutos consumidos por aves e mamíferos, que atuam como dispersores naturais de sementes, contribuindo para a recomposição da vegetação. Por isso, sua presença está diretamente associada à manutenção da biodiversidade e à recuperação de áreas degradadas.
Conhecida como “prima do açaí”, ou como o açaí da Mata Atlântica, a juçara pertence ao mesmo gênero da palmeira amazônica (Euterpe oleracea). Diferentemente do açaí cultivado no Norte do país, no entanto, a juçara não rebrota após o corte, o que fez com que a exploração ilegal para extração de palmito levasse à redução significativa de suas populações ao longo das últimas décadas.
Desde sua implantação, cerca de 90 toneladas de sementes já foram dispersadas em Unidades de Conservação estaduais, alcançando aproximadamente 1,8 mil hectares. Parte desse processo é feita por semeadura direta.
Os dados de monitoramento indicam taxa de sobrevivência de 87,7% das mudas, o que reforça a eficiência do modelo adotado. No campo econômico, cerca de 350 famílias participam da coleta e comercialização das sementes, gerando renda a partir do manejo sustentável dos frutos.
Segundo a fundação, o reajuste no valor pago busca fortalecer essa cadeia, ampliando a adesão de coletores e a escala das ações de restauração. A medida também dialoga com uma agenda mais ampla de políticas públicas voltadas à recomposição da Mata Atlântica, um dos biomas mais degradados do país.
Fonte: Globo Rural
Foto: Fundação Florestal

