A política que o governo criou para “premiar” produtores que adotam técnicas sustentáveis no campo ainda não deslanchou. O desconto nos juros de linhas de custeio do Plano Safra a médios e grandes agricultores, de até 1 ponto percentual, teve alcance limitado. Até maio, apenas 2.239 operações acessaram novos recursos com parte desse rebate, segundo as estatísticas do Banco Central.
As liberações somaram R$ 836,1 milhões, apenas 0,45% dos desembolsos em todas as operações de custeio da safra 2024/25, que foram de mais de R$ 185 bilhões. O valor representa 0,92% das liberações que ocorreram por meio de linhas de custeio com juros controlados, com e sem equalização, que poderiam ter esses rebates. Ao todo, essas liberações já alcançaram R$ 90,5 bilhões no ciclo atual.
O crédito com desconto chegou apenas a quem tem Cadastro Ambiental Rural (CAR) analisado. Essa forma de obter o benefício já estava em vigor desde a safra passada, e o desempenho até evoluiu em relação a 2023/24, quando houve somente 43 operações com desconto que totalizaram R$ 21,5 milhões.
No entanto, não houve financiamento com redução nos juros para produtores que fazem parte dos programas de boas práticas agrícolas reconhecidos pelo Ministério da Agricultura, para produtores orgânicos ou com certificação de produção integrada, nem àqueles que já acessaram linhas do RenovAgro em safras anteriores. “Não houve operações contratadas nas mencionadas condições”, disse o Banco Central ao Valor.
Fonte: Globo Rural

