A eficiência dos pós de rocha na remineralização de solos tropicais depende não apenas da composição mineral do material aplicado, mas também das condições biológicas e químicas da rizosfera. A avaliação é de Marcus Lourenço “Polé”, biólogo, ao comentar resultados de um estudo publicado na Plant and Soil sobre a liberação de nutrientes por pós de rochas silicáticas.
O trabalho acompanhou por 10 meses Urochloa brizantha em solos tropicais com diferentes níveis de fertilidade, utilizando fonolito, diabásio e granito. Nos ambientes de baixa fertilidade, os pós de rocha estiveram associados a mudanças no perfil de ácidos orgânicos da rizosfera, nas comunidades microbianas e na mobilização de nutrientes.
Os ácidos orgânicos apareceram como elo entre a atividade biológica e a geoquímica do solo. Esses compostos apresentaram associação positiva com a fertilidade e com a absorção de nutrientes pelas plantas. A diversidade de fungos também mostrou efeito positivo sobre sua concentração.
Em solos de maior fertilidade, essas relações foram mais fracas. O resultado indica que o desempenho da remineralização varia conforme o contexto ecológico em que o material mineral é inserido. Sob limitação nutricional, plantas e microrganismos parecem atuar de forma mais integrada na exploração de nutrientes presentes nas superfícies minerais.
A análise reforça que a escolha do pó de rocha não deve ser feita de forma isolada. Fertilidade, microbioma e capacidade da rizosfera de estimular processos de intemperismo biológico também influenciam a resposta. O solo, assim, é mais do que o destino de um insumo mineral: é um ambiente vivo em que minerais, raízes, microrganismos e compostos orgânicos interagem e podem determinar a eficiência da remineralização.

