Etanol, proteína e solo fértil: o papel estratégico da semente de milho no agro brasileiro

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Etanol, proteína e solo fértil: o papel estratégico da semente de milho no agro brasileiro

Antes de ser uma commodity estratégica ou uma engrenagem da produção de energia, proteína e alimentos, o milho é uma das culturas mais antigas da humanidade. Cultivado originalmente pelos povos indígenas nas Américas há milhares de anos, o cereal atravessou gerações até se consolidar como um dos pilares do agronegócio moderno. No Brasil, essa trajetória foi ainda mais surpreendente: da base da agricultura familiar às tecnologias mais avançadas em biotecnologia, o milho se transformou em um ativo de segurança alimentar, energética e econômica.

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Quem conhece essa evolução é André Figueiredo, Gerente Executivo de Desenvolvimento de Produtos da GDM – marca Supra Sementes. “O milho é, sem dúvida, um patrimônio econômico da nossa nação. Hoje, cerca de 69% das propriedades agrícolas cultivam milho. São mais de 3,5 milhões de propriedades que têm essa cultura como base estratégica”, afirma.

De subsistência à inovação: o salto da produtividade

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Há 25 anos, a produtividade média do milho no Brasil era de apenas 3,5 toneladas por hectare. Hoje, esse número praticamente dobrou. “Estamos falando de um crescimento de 87% em um curto espaço de tempo. E o mais impressionante é que isso ocorreu enquanto migrávamos o plantio do verão, mais favorável, para a safrinha, que tem muito mais riscos climáticos”, explica André.

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Esse salto está diretamente relacionado ao melhoramento genético. “Metade da produtividade vem do manejo, mas os outros 50% são mérito da genética. A cada novo híbrido lançado, temos um ganho médio de 120 a 150 kg por hectare”, detalha.

Além da produtividade, a genética trouxe maior estabilidade. “Hoje, nossos híbridos são mais tolerantes a doenças, a estresses climáticos e até ao tombamento de plantas. Isso garante segurança para o produtor”, acrescenta.

A semente como vetor de tecnologia

A importância da semente vai muito além da reprodução da espécie. “A semente é o principal vetor de tecnologia no campo. Por meio dela, embarcamos ferramentas genéticas, biotecnológicas e agronômicas que facilitam o manejo e aumentam a eficiência da lavoura”, diz André.

Ele destaca, por exemplo, os híbridos com tecnologia Bt, que oferecem tolerância à lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), e os com tecnologia RR, que facilitam o controle de plantas daninhas. “Tudo isso com um custo acessível. A semente representa apenas de 10% a 15% do custo total da lavoura, mas entrega muito mais em termos de benefício.”

O que define uma boa semente?

Segundo André, são três pilares: genética, fisiologia e qualidade de plantabilidade. “O primeiro é o material genético: um híbrido com potencial produtivo, resistência e adaptado à região. O segundo é fisiológico: germinação e vigor, essenciais para suportar os estresses do campo. E o terceiro é a uniformidade, com sementes bem classificadas para garantir distribuição homogênea no plantio”, resume.

Milho como base da sustentabilidade

Além de sua relevância produtiva, o milho tem papel fundamental na conservação dos solos. “Metade da matéria seca da planta é convertida em palhada, que alimenta o solo com celulose, hemicelulose e lignina. Essa cobertura é essencial para o plantio direto e para proteger o solo contra erosão”, explica André.

A decomposição lenta da palhada, especialmente rica em lignina, proporciona um efeito duradouro. “Em algumas regiões, a palha permanece por até 12 meses no solo, melhorando a microbiota e aumentando a matéria orgânica.”

Integração lavoura-pecuária: um salto na sustentabilidade

A integração lavoura-pecuária (ILP), que consorcia milho e braquiária, vem se consolidando como solução sustentável. “Na safrinha do Mato Grosso, essa prática já é amplamente adotada. Ela aumenta a cobertura do solo, recicla nutrientes e chega a elevar a produtividade da soja em até 15% na rotação”, afirma André.

O sistema ainda suprime plantas daninhas e melhora o armazenamento de água no solo, favorecendo a resiliência frente às mudanças climáticas.

Etanol de milho: energia renovável em expansão

O crescimento da produção de etanol de milho no Brasil impressiona. “Em 2017, não havia praticamente nada. Em 2024, já são 6,3 bilhões de litros produzidos por ano. A expectativa é que até 2032, a produção chegue a 15 bilhões de litros”, projeta André.

Com maior rendimento por tonelada de grão do que a cana-de-açúcar (430 litros contra 80), o milho também libera a terra mais cedo para o cultivo de outras culturas. “É uma matriz energética mais eficiente e mais rápida, que ajuda na diversificação e no desenvolvimento regional”, analisa.

Indústria, alimentação e saúde: o milho em tudo

Além de alimento direto, o milho é insumo essencial em mais de 40 cadeias industriais. “Vai desde a produção de cereais matinais, farinhas e xaropes até cosméticos, cápsulas de medicamentos e até bioplásticos”, explica André.

Ele destaca o PLA, um plástico biodegradável produzido a partir do amido do milho, como exemplo de inovação sustentável. “Isso mostra o quanto o milho está presente no nosso dia a dia, mesmo quando não percebemos.”

Desafios da cadeia: logística e armazenamento

Apesar de todo o potencial, o setor ainda enfrenta gargalos. O principal deles é o armazenamento. “O Brasil produz mais de 300 milhões de toneladas de grãos, mas só tem capacidade para armazenar cerca de 190 milhões. Isso gera perdas, pressiona os preços e aumenta o custo logístico”, alerta.

No Mato Grosso, maior produtor de milho, o déficit de armazenagem é de 41%. “Apenas 11% dos armazéns estão dentro das propriedades. Isso mostra como o produtor ainda depende de terceiros, o que impacta na rentabilidade”, acrescenta.

O milho na agricultura familiar

Mesmo com o avanço da agricultura empresarial, o milho segue sendo a base da agricultura familiar no país. “É a principal cultura das pequenas propriedades, tanto para alimentação quanto para geração de renda. O milho garante a sustentabilidade do pequeno produtor”, reforça André.

A adoção de sementes híbridas e tecnologias adaptadas pode ser um caminho para ampliar a produtividade também nessas áreas. “É um processo que precisa ser gradual, mas que representa uma grande oportunidade”, completa.

O milho se consolidou como alicerce tecnológico, econômico e ambiental do agronegócio brasileiro. Com genética de ponta, ampla adaptabilidade e múltiplos usos, ele será cada vez mais central na busca por produtividade sustentável. “Vamos continuar investindo em inovação, porque o milho é – e seguirá sendo – protagonista do campo brasileiro”, finaliza André Figueiredo, em nome da Supra Sementes.

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