No esforço de consolidar o uso de microrganismos na agricultura, o setor criou convenções que, em muitos casos, mais limitam do que impulsionam o avanço dessas tecnologias. Para Tiago Zucchi, fundador da MAVEZ ASSESSORIA, é hora de rever o que hoje é tido como “melhor prática” e abrir espaço para inovação baseada em inteligência ecológica.
“Será que estamos seguindo práticas que, na verdade, travam o uso dos microrganismos na agricultura? Nem toda melhor prática leva ao avanço”, comenta.
Zucchi destaca cinco mitos que merecem ser desafiados para que os microrganismos entreguem todo seu potencial no campo. O primeiro mito é acreditar que “quanto mais cepas, melhor”. Na prática, misturar muitas espécies pode causar competição e neutralizar efeitos, sendo mais eficaz formar consórcios com sinergia comprovada, em vez de misturas aleatórias.
Outro mito comum é confiar apenas em testes de laboratório ou estufa. O ambiente do solo é dinâmico e exige validação em condições reais, com agricultores parceiros desde o início. Focar apenas em grupos tradicionais, como PGPR e biofertilizantes à base de Azospirillum e Bacillus, também limita o avanço, pois funções importantes, como sinalização, tolerância a estresses e compostos voláteis, são pouco exploradas.
“Muita gente me pergunta: Mas se o microrganismo é bom, por que ele não funciona em todo lugar?A resposta pode incomodar: porque o solo, a planta e o ambiente completam o quebra-cabeça para o sucesso ou não do bioinsumo utilizado”, conclui.
Por: Agrolink – Leonardo Gottems

