O Rio Grande do Sul confirmou o segundo foco de greening, uma das doenças mais graves da citricultura mundial. O novo caso foi identificado em Caiçara, em plantas cítricas de pomares domésticos localizados na área urbana do município. A ocorrência mobilizou equipes da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), da Emater/RS-Ascar e da administração municipal para reforçar o monitoramento e adotar medidas de contenção.
O primeiro registro da doença no Estado havia sido confirmado em junho, em Palmitinho, também no Norte gaúcho. Após a identificação, foram adotados protocolos de fiscalização, coleta de amostras, acompanhamento das áreas próximas e erradicação das plantas infectadas.
Em Caiçara, fiscais agropecuários da Seapi iniciaram inspeções em propriedades localizadas em um raio inicial de 500 metros a partir do foco identificado. Após essa etapa, o monitoramento será ampliado para uma área de 2,4 quilômetros, com o objetivo de verificar a possível presença da doença em outros pomares.
A confirmação ocorreu após análises laboratoriais realizadas pela Seapi. Segundo o município, até o momento, os casos identificados estão restritos a pomares domésticos na zona urbana, sem registro em áreas comerciais de produção.
Erradicação das plantas contaminadas
O greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB), é causado por uma bactéria que afeta plantas cítricas, como laranjeiras, bergamoteiras e limoeiros. A transmissão ocorre pelo inseto Diaphorina citri, conhecido como psilídeo dos citros, que adquire a bactéria ao se alimentar de plantas contaminadas e passa a transmiti-la para outras árvores.
Entre os principais sintomas estão o amarelamento irregular das folhas, deformação e redução do tamanho dos frutos, queda na produtividade e enfraquecimento gradual das plantas. Não existe tratamento capaz de recuperar árvores infectadas, e a principal medida recomendada é a eliminação das plantas contaminadas para reduzir a disseminação.
Apesar dos impactos econômicos para a citricultura, a doença não oferece risco à saúde humana e não impede o consumo dos frutos produzidos por plantas sadias.
Fiscalização e orientação aos moradores
A força-tarefa reúne fiscais agropecuários, engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas, extensionistas da Emater e representantes da administração municipal. O objetivo é identificar novos casos, orientar moradores e produtores e impedir que a doença avance para regiões de produção comercial.
Agentes comunitários de saúde também participam das ações de conscientização, auxiliando na comunicação com a população e na identificação de possíveis sintomas em pomares residenciais.
Entre as principais recomendações está a aquisição de mudas cítricas somente de viveiros regularizados, com origem comprovada e rastreabilidade. A medida reduz o risco de entrada da bactéria em novas áreas.
Comunicação às autoridades
Produtores e moradores devem realizar inspeções frequentes nas plantas e comunicar imediatamente qualquer suspeita às equipes da Defesa Agropecuária, à Emater ou às secretarias municipais de Agricultura.
A Seapi orienta que casos suspeitos sejam comunicados à Inspetoria de Defesa Agropecuária do município ou à equipe central, em Porto Alegre, pelos canais oficiais de atendimento. O acompanhamento precoce é considerado fundamental para evitar a expansão do greening no Estado, que até 2026 ainda não possuía registros confirmados da doença.

