Esqueça a gasolina: estudantes brasileiros criam carro movido a água, transformam Fiat Siena em veículo de emissão quase zero e colocam primeiro automóvel do Brasil com combustão limpa para disputar torneio internacional no Rio de Janeiro

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Esqueça a gasolina: estudantes brasileiros criam carro movido a água, transformam Fiat Siena em veículo de emissão quase zero e colocam primeiro automóvel do Brasil com combustão limpa para disputar torneio internacional no Rio de Janeiro

A Universidade Federal de Santa Maria apresentou o primeiro veículo de combustão interna movido a hidrogênio do Brasil, um Fiat Siena convertido no Laboratório de Motores do Centro de Tecnologia da instituição, em projeto conduzido pelo GPMOT e ligado à pesquisa automotiva de baixa emissão.

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O automóvel não utiliza água como combustível.

A tecnologia aplicada no Siena usa hidrogênio em um motor de combustão interna, enquanto água ou vapor d’água aparece como subproduto no escapamento, reduzindo de forma significativa as emissões associadas ao uso de gasolina, etanol ou diesel.

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A conversão faz parte do trabalho de conclusão de curso de Augusto Graziadei Folletto, estudante de Engenharia Mecânica da UFSM.

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O projeto, intitulado “Adaptação e calibração de um veículo à combustão interna, usando hidrogênio como combustível”, teve orientação do professor Mario Martins e coorientação do professor Thompson Lanzanova.

Fiat Siena a hidrogênio mantém motor original e reduz emissões

O modelo escolhido foi um Fiat Siena, veículo já conhecido no mercado brasileiro e usado como base para demonstrar uma possibilidade técnica: adaptar carros existentes para operar com combustíveis de menor impacto ambiental, sem substituir integralmente o conjunto mecânico original.

Segundo a UFSM, o carro preserva as características de fábrica, mas passa a ter o hidrogênio como fonte de energia.

Esse tipo de adaptação, chamado de retrofitting, busca prolongar a vida útil de veículos já em circulação e testar soluções de transição para uma frota menos dependente de combustíveis fósseis.

A proposta difere dos carros a célula de combustível, que convertem hidrogênio em eletricidade para alimentar motores elétricos.

No caso do Siena, o hidrogênio é queimado diretamente no motor de combustão interna, em uma linha de pesquisa voltada à aplicação do combustível em motores convencionais.

Fiat Siena da UFSM é convertido para usar hidrogênio em motor de combustão interna e testa tecnologia de baixa emissão no Brasil.Fiat Siena da UFSM é convertido para usar hidrogênio em motor de combustão interna e testa tecnologia de baixa emissão no Brasil.

Para a universidade, o resultado mostra que é possível alcançar um sistema de propulsão com emissões de poluentes consideradas virtualmente zero.

Na prática, o ganho ambiental depende da origem do hidrogênio, já que o combustível só se torna mais limpo em todo o ciclo quando produzido por fontes renováveis.

Pesquisa automotiva da UFSM integra o programa Rota 2030

A iniciativa está inserida no Programa Rota 2030 – Mobilidade e Logística, política federal voltada ao desenvolvimento tecnológico e à inovação no setor automotivo.

O veículo convertido reúne resultados de diferentes frentes de pesquisa do Grupo de Pesquisa em Motores, Combustíveis e Emissões da UFSM.

O trabalho recebeu financiamento de instituições como CNPq, Finep e Fapergs, além do apoio do projeto “Desenvolvimento de Motor Automotivo Movido a Biohidrogênio para o Mercado Brasileiro”, financiado pela Chamada Pública nº 3/2021 do Rota 2030, por meio da Fundep.

Também participam da iniciativa empresas do setor automotivo e de tecnologia, como Marelli, TCA-Horiba e FuelTech.

A FuelTech colaborou com suporte técnico e forneceu o sistema de controle do motor, etapa essencial para adaptar a calibração do veículo ao uso de hidrogênio.

A coordenação do projeto de biohidrogênio é da professora Nina Paula Gonçalves Salau, do Departamento de Engenharia Química, com participação de pesquisadores ligados à Engenharia Mecânica.

A integração entre áreas diferentes ajuda a conectar produção de combustível, controle eletrônico, testes de motor e avaliação de emissões.

Hidrogênio verde ainda depende de produção e abastecimento

O professor Mario Martins avalia que o hidrogênio produzido a partir de fontes renováveis, conhecido como hidrogênio verde, pode se tornar alternativa importante aos combustíveis fósseis.

Ainda assim, a aplicação em larga escala depende de avanços na produção, no armazenamento e na distribuição.

“A adoção em larga escala depende principalmente da expansão da produção, do armazenamento e da rede de distribuição do hidrogênio”, afirmou Mario, ao comentar os desafios para que veículos movidos por esse combustível cheguem ao mercado com maior presença.

Na avaliação do pesquisador, veículos a hidrogênio podem se tornar mais comuns entre 2030 e 2040, acompanhando a expansão da chamada economia do hidrogênio.

Esse crescimento tende a começar por setores industriais, transporte pesado e geração de energia, antes de avançar com mais força no transporte leve.

Ainda há limitações relevantes para uso cotidiano em automóveis de passeio.

O hidrogênio exige estrutura específica de abastecimento, cuidados de segurança e custos competitivos de produção, fatores que ainda restringem sua adoção em escala comercial no Brasil e em outros mercados.

 

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Shell Eco-marathon no Rio reúne protótipos estudantis

No cenário nacional, a Shell Eco-marathon Brasil 2025, realizada no Rio de Janeiro, reuniu equipes universitárias em uma competição internacional de eficiência energética.

A disputa incluiu veículos movidos a hidrogênio, além de categorias com bateria elétrica e combustão interna.

A competição recebeu cerca de 500 estudantes de diferentes regiões do Brasil e de países da América Latina.

Na categoria de hidrogênio, os projetos usam célula de combustível e buscam percorrer a maior distância possível com o menor consumo de energia.

A Universidade Federal do Paraná venceu a categoria “Protótipo a Hidrogênio” com o veículo Sirius, desenvolvido pela equipe Eco Octano.

O protótipo percorreu 132 quilômetros por metro cúbico de hidrogênio, desempenho que garantiu o primeiro lugar na disputa realizada no Rio.

No caso do Fiat Siena convertido pela UFSM, não há confirmação pública segura de inscrição ou participação do veículo na Shell Eco-marathon Brasil 2025.

A informação disponível aponta o Siena como demonstrador tecnológico de combustão interna a hidrogênio, e não como protótipo oficialmente anunciado para a competição.

Motores a hidrogênio avançam em pesquisas no Brasil

Após a conversão do Siena, o grupo pretende avançar para modelos mais modernos.

A ideia é testar a viabilidade da adaptação em veículos com tecnologias recentes, ampliando o conhecimento sobre calibração, desempenho, segurança e emissões em motores alimentados por hidrogênio.

A pesquisa se soma a outras iniciativas do Centro de Tecnologia da UFSM voltadas à transição energética.

Entre elas estão o Bombaja H2, equipe de competição de protótipos a hidrogênio, e estudos sobre células a combustível para geração de energia elétrica.

O trabalho do GPMOT reforça a aproximação entre universidade, indústria e políticas públicas de inovação.

Ao testar hidrogênio, biocombustíveis e combustão limpa, o grupo produz dados técnicos que podem orientar soluções futuras para mobilidade de baixo carbono no Brasil.

A apresentação do Siena coloca a UFSM em destaque em uma área estratégica, mas ainda em desenvolvimento.

O projeto demonstra uma aplicação real do hidrogênio em motor convencional, enquanto os próximos testes devem indicar até onde a tecnologia pode avançar fora do ambiente de pesquisa.

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