Quase 80% da produção do mel brasileiro é destinada aos Estados Unidos. Contudo, o tarifaço de 50% sobre as exportações do país ao mercado norte-americano inviabilizam os negócios.
De acordo com o diretor-executivo da Apidouro, João Messas, a restrição afeta drasticamente os pequenos produtores e coloca em risco a competitividade do setor nacional.
Segundo ele, desde que o produto não entrou na lista de exceções ao tarifaço (casos de suco de laranja, castanhas e outros itens), foi possível notar que os importadores rapidamente bloquearam os contratos em abertos e frearam novos embarques de mel brasileiro.
“Foi algo que impactou e virou o mercado muito rapidamente. A gente vinha em uma crescente de demanda por parte dos Estados Unidos, assim como um aumento de preços que já eram percebidos desde o início desse ano e comparativamente a 2024, mas, de uma hora para outra, a gente se viu ‘descalso’”, detalha.
Venda de mel a outros destinos
Messas lembra que a maior parte do mel brasileiro é produto certificado orgânico, fator que dificulta o envio do produto a novos mercados.
Assim, desviar a exportação dos Estados Unidos à União Europeia, segundo consumidor do mel brasileiro, encontra como entrave a certificação orgânica atualmente chancelada ao mercado norte-americano, que é a NOP, do USDA.
“Essa certificação NOP não tem uma equivalência com a certificação CE, que é a certificação baseada nas normas de produção orgânica da Comunidade Europeia. […] Acabamos ficando restritos a países que aceitam a certificação orgânica NOP e que possuem essa equivalência em sua norma de produção orgânica”, afirma. Conforme o diretor da Apidouro, este é o caso do Canadá, mercado que o setor tem buscado centralizar forças.
Incentivo ao consumo interno
Segundo Messas, o setor produtivo do mel tem buscado incentivar o consumo interno, visto que o índice per capita no Brasil é muito aquém de Estados Unidos e Europa.
Cada brasileiro consome, em média, apenas 50g de mel, enquanto os norte-americanos ingerem entre 1kg e 1,2 kg, média semelhante à da Europa.
Fonte: Canal Rural

