Empresa investe R$ 10 milhões para permitir que brasileiros paguem a conta de luz com pontos

Banner Mutua

Empresa investe R$ 10 milhões para permitir que brasileiros paguem a conta de luz com pontos

Trocar pontos de fidelidade por combustíveldesconto em passagem aérea ou uma cafeteira é fichinha.

PUBLICIDADE
Sicoob Engecred

Uma empresa de São Paulo quer ir além: permitir que os pontos acumulados no dia a dia sirvam para zerar a conta de luz no fim do mês.

A proposta vem da Prospera, que acaba de investir 10 milhões de reais na compra da SoulPrime, uma startup que criou uma rede social baseada em recompensas digitais.

PUBLICIDADE
Sicoob Engecred

Com a aquisição, nasce a SoulUP, uma plataforma que une conteúdo, consumo e impacto ambiental, com uma moeda própria (e verde): os Pontos ECOA.

PUBLICIDADE
Sicoob Engecred

“Nosso objetivo é transformar a conta de luz em um benefício, não num peso”, afirma Marcelo Freitas, fundador e CEO da Prospera. “Queremos que a pessoa vá ao mercado, abasteça o carro ou compre no e-commerce e ganhe pontos que viram desconto direto na fatura”.

A ideia não surgiu do nada. Freitas é engenheiro elétrico e passou anos atuando como fornecedor de tecnologia para grandes projetos do setor de energia.

Em 2020, decidiu mudar de lado: começou a construir pequenas usinas de geração solar e lançou um modelo de fidelização voltado para o pequeno varejo.

“A gente entregava energia para padarias, farmácias, academias, e junto instalava uma maquininha de pagamento. Toda vez que o cliente usava nossa maquininha para vender, ganhava crédito para abater na conta de energia. Chegamos a dar 100% de economia”, conta.

O modelo deu certo, mas tinha um limite. Era restrito a quem usava os terminais físicos da empresa.

Foi aí que a Prospera decidiu transformar a maquininha em algoritmo — e criar uma moeda digital.

“A gente entendeu que podia expandir esse benefício. Tiramos o hardware (a maquininha) e colocamos uma lógica de pontos dentro de uma plataforma. Agora qualquer pessoa pode ganhar ECOA comprando no cartão, assistindo vídeo ou até interagindo com marcas.”

Com a SoulPrime, a tecnologia da Prospera ganhou uma nova vitrine.

A startup, criada por Fabiano Miranda, já funcionava como uma rede social onde usuários acumulavam tokens ao consumir conteúdo. A integração foi natural.

“O Fabiano tinha desenvolvido a última milha do nosso projeto. Ele já tinha uma rede com base tecnológica sólida. A gente só trocou o dinheiro pelos pontos ECOA”, diz Freitas.

A fusão também marca uma mudança de escala.

A SoulUP começa com uma base de quase 60 mil usuários, e a meta é multiplicar esse número por dez até o fim do ano. “Estamos plugando os pontos em bancos, redes de varejo, indústrias de bebidas e apps de compras. Queremos que a moeda esteja presente em qualquer transação cotidiana”, afirma.

Qual é a história da empresa

Marcelo Freitas nunca planejou trabalhar com fidelização, tampouco fundar uma startup.

A carreira começou de forma tradicional: técnico em informática industrial, depois engenheiro elétrico formado pela PUC. Passou por multinacionais alemãs do setor de automação e chegou a atender grandes clientes da indústria pesada, como a Volkswagen Caminhões e Ônibus, no Rio de Janeiro. Foi ali que a energia virou mais do que uma área técnica.

“Conheci um medidor de energia supermoderno, usado na Europa e no Canadá, que quase ninguém no Brasil sabia operar. Comecei a estudar aquilo e vi que o setor elétrico tinha muita complexidade, mas também muito espaço pra inovação”, lembra.

Em 2005, decidiu empreender.

Fundou a Cenatec, empresa de tecnologia que fornecia soluções para projetos de geração, transmissão e distribuição de energia. O portfólio atendia desde usinas hidrelétricas como Belo Monte até parques eólicos e grandes indústrias em migração para o mercado livre de energia.

Mesmo com a empresa crescendo, Freitas já traçava outro plano: deixar de ser fornecedor e virar produtor. “Sempre tive essa visão: queria construir minhas próprias fazendas solares e vender energia limpa direto ao consumidor. Mas não queria vender para grandes grupos. Queria chegar na padaria, na academia, no posto de gasolina”, afirma.

Essa virada começou em 2020. A Prospera foi criada com uma proposta diferente: vender energia renovável para o pequeno varejista e oferecer, junto com ela, uma maquininha de pagamento própria. O cliente contratava energia, usava a maquininha para receber suas vendas e acumulava créditos que viravam desconto na conta de luz.

“Era simples: ele contratava, por exemplo, 5.000 reais em energia, e ao usar nosso terminal durante o mês, podia chegar a pagar só 500 reais no fim do ciclo. Chegamos a zerar conta de luz de muito cliente. Porque a margem da maquininha ia direto pra carteira dele”, explica.

O modelo unia fidelização, geração de energia e pagamento. Mas era difícil de escalar: precisava instalar equipamentos, treinar lojistas, acompanhar uso. Foi aí que surgiu a ideia de digitalizar o programa. A maquininha virou algoritmo, e a recompensa virou ponto digital. O nome: ECOA, uma moeda lastreada em créditos de carbono e energia limpa.

“Nosso maior acerto foi tirar o hardware e transformar a recompensa em algo que pode estar em qualquer lugar: no cartão, no app de delivery, no e-commerce. Qualquer compra pode gerar ponto. E todo mundo tem conta de luz pra pagar”, diz Freitas.

Como funciona a nova plataforma

Na prática, o sistema criado pela Prospera transforma qualquer atividade de consumo em oportunidade de recompensa.

Compras no cartão de crédito, interação com anúncios, check-in em eventos ou até assistir a vídeos podem gerar pontos ECOA, que ficam acumulados no aplicativo da SoulUP.

Esses pontos podem ser trocados por selos digitais. Cada selo equivale a um benefício prático: desconto na conta de energia elétrica, compensação de carbono e acesso a experiências ou produtos.

“É como se fosse um cupom. A pessoa resgata um selo, por exemplo, ganha 50 reais de crédito na conta de luz, preserva uma quantidade de árvores e ainda pode concorrer a prêmios como smartphones ou ingressos para eventos”, explica Freitas.

Não é preciso ser cliente da Prospera nem contratar energia diretamente da empresa. O usuário cadastra sua conta de luz no aplicativo, digita o código de barras da fatura e aplica o desconto gerado pelos pontos. O sistema já está integrado com todas as distribuidoras do país.

Como ele mudou o negócio

A criação do ponto ECOA nasceu de uma virada estratégica dentro da própria Prospera.

Antes, o modelo de negócios era centrado nas maquininhas de pagamento conectadas à oferta de energia renovável para pequenos comércios. Mas a operação era limitada e difícil de escalar.

“Nós ganhávamos nas duas pontas: na geração de energia e nas taxas das maquininhas. Mas vimos que dava para digitalizar o modelo, tirar o hardware e transformar isso em uma lógica de plataforma”, afirma o fundador.

O primeiro passo foi criar a moeda digital baseada em créditos de carbono e energia renovável. Em vez de um ponto tradicional, como os de companhias aéreas ou programas de milhagem, o ECOA tem lastro ambiental — e isso o torna atrativo para empresas que querem mostrar ações concretas em ESG.

Agora, a venda da moeda é o principal motor de receita da Prospera. Os pontos ECOA são adquiridos por empresas que desejam usá-los em seus programas de fidelidade, relacionamento ou incentivo ao consumo.

A lógica é parecida com qualquer programa de pontos tradicional.

“Tem mais de 2.000 grandes empresas no Brasil comprometidas com o pacto global da ONU. Todas precisam mostrar ações no escopo 3. Quando elas distribuem pontos ECOA, estão engajando o consumidor e, ao mesmo tempo, entregando uma ação rastreável de impacto ambiental”, diz Freitas.

Os detalhes da aquisição e o futuro da empresa

A SoulPrime entrou no radar da Prospera depois de aparecer no programa Shark Tank Brasil, onde apresentou seu modelo de rede social descentralizada, em blockchain, que remunera o tempo dos usuários com tokens.

A proposta chamou a atenção de investidores e também de Marcelo Freitas, que viu ali a peça que faltava.

“O Fabiano tinha feito algo muito valioso: criou uma rede onde o tempo do usuário vira valor. Eu vi e pensei: se a gente colocar os pontos ECOA ali dentro, fechamos o ciclo. O consumo vira ponto, o ponto vira benefício, e o benefício alimenta a comunidade”, afirma o CEO.

A aquisição foi total. Toda a tecnologia da SoulPrime, incluindo o código-fonte e equipe, foi incorporada pela Prospera. A rede social foi rebatizada de SoulUP e passou a ser o hub da nova operação. Fabiano Miranda assumiu o cargo de CTO da empresa.

Com a fusão, a Prospera aposta em escalar rapidamente. A plataforma está em fase de lançamento comercial com parcerias em negociação com bancos, marketplaces e grandes indústrias, inclusive uma do setor de bebidas no Norte do país.

A expectativa é crescer de forma acelerada ainda este ano.

“A gente quer sair de 60 mil usuários para 500 mil até dezembro. E não estamos falando só de downloads, mas de pessoas ativas, que realmente usam o app, trocam pontos e veem diferença na conta no fim do mês”, diz Freitas.

A ambição é que os pontos ECOA estejam em qualquer lugar — da compra do pão à passagem aérea. O que vale é o acúmulo e o uso frequente. “Diferente de programas em que você acumula e esquece, aqui a recompensa vem todo mês. Porque todo mês tem conta de luz.”

Fonte: Exame

Publicidade

Basket (0)
Seu carrinho está vazio.
Select the fields to be shown. Others will be hidden. Drag and drop to rearrange the order.
  • Image
  • SKU
  • Rating
  • Price
  • Stock
  • Availability
  • Add to cart
  • Description
  • Content
  • Weight
  • Dimensions
  • Additional information
Click outside to hide the comparison bar
Compare