Em meio à escalada das tensões comerciais com os Estados Unidos, o governo brasileiro assinou nesta semana dois memorandos de entendimento que ampliam a cooperação econômica com Rússia e China. As medidas vêm como resposta ao “tarifaço” imposto por Washington, que elevou em até 50% as tarifas sobre diversos produtos brasileiros.
Com a Rússia, o acordo cria um canal permanente de diálogo econômico e financeiro entre os ministérios da Fazenda dos dois países. O objetivo é trocar informações e coordenar posições em fóruns multilaterais como BRICS e G20, além de explorar oportunidades conjuntas em tributação, infraestrutura e políticas macroeconômicas.
Já com a China, o memorando fortalece compromissos firmados em anos anteriores e integra iniciativas brasileiras, como o Novo PAC e o Plano de Transformação Ecológica, à estratégia chinesa da Nova Rota da Seda. A parceria prevê ainda o reforço da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível, responsável por supervisionar projetos de cooperação econômica e tecnológica.
A assinatura dos acordos reforça a estratégia do Palácio do Planalto de diversificar parcerias internacionais e reduzir a dependência comercial em relação aos Estados Unidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também conversou por telefone com o presidente chinês Xi Jinping para tratar de comércio agrícola, integração no BRICS e ações conjuntas contra o protecionismo norte-americano.
Segundo o governo, a aproximação com Rússia e China faz parte de um reposicionamento do Brasil no cenário global, privilegiando alianças no chamado Sul Global e buscando novos mercados para compensar os efeitos do tarifaço.

