Pesquisadores brasileiros identificaram o gene ScTpx2 como peça-chave na resistência ao déficit hídrico. Estudo indica que a sua sobre-expressão pode reduzir perdas de produtividade e acelerar o desenvolvimento de variedades comerciais mais resilientes, diz nota do “Agro Portal”
A cana-de-açúcar é uma cultura estratégica no Brasil, sustentando a produção de açúcar e bioetanol e contribuindo para a redução das emissões de carbono. Contudo, a seca continua a ser a principal causa de quebra de produtividade.
Para compreender melhor o papel do gene ScTpx2, os investigadores começaram por testá-lo na planta modelo Arabidopsis thaliana, onde promoveram a sua sobre-expressão. As plantas modificadas demonstraram maior sobrevivência sob défice hídrico severo e melhor desempenho em situações de stress moderado.
Numa fase seguinte, a equipa desenvolveu plantas de cana-de-açúcar geneticamente editadas para sobre-expressar o mesmo gene e avaliou-as em condições controladas de seca, em estufa. Após dez dias com rega limitada, as linhas editadas mantiveram taxas de fotossíntese entre 12% e 23% superiores às das plantas não modificadas.
Além disso, apresentaram níveis mais baixos de stress oxidativo e desenvolveram feixes vasculares e tecido do xilema de maior dimensão — características que poderão melhorar o transporte de água no interior da planta e reforçar a sua capacidade de adaptação a períodos de escassez hídrica.
Os investigadores defendem que a valorização do gene ScTpx2 poderá apoiar o desenvolvimento de variedades comerciais de cana-de-açúcar mais resistentes, contribuindo para a estabilidade da produção num contexto de alterações climáticas crescentes.
Fonte: Agro Portal

