No dia 12 de outubro, comemoramos o Dia do Engenheiro Agrônomo com orgulho de nossa história e consciência das responsabilidades que assumimos diante do Brasil. Nossa profissão participa de uma missão essencial: produzir alimentos, gerar oportunidades e cuidar dos recursos naturais que sustentam a vida.
Fomos protagonistas da construção de conhecimentos que ajudaram a transformar a agricultura brasileira. Nos laboratórios, nas universidades e no campo, contribuímos para adaptar tecnologias, recuperar solos, desenvolver sistemas produtivos e aproximar a ciência da realidade dos produtores.
Essa trajetória resulta do trabalho de gerações e da cooperação entre profissionais, instituições e agricultores.
Somos pesquisadores que investigam e propõem soluções; professores que formam profissionais e cidadãos; extensionistas que compartilham conhecimentos e aprendem com as comunidades; consultores que orientam decisões e ajudam a reduzir riscos. Em cada função, nosso compromisso deve reunir competência técnica, ética, produtividade e responsabilidade ambiental e social.
Seremos mais necessários em uma agricultura desafiada pelas mudanças climáticas, pela pressão sobre os recursos naturais e pela necessidade de alimentar a sociedade com qualidade. Inteligência artificial, agricultura digital, bioinsumos e práticas regenerativas ampliarão nossas possibilidades, mas exigirão atualização, pensamento crítico e capacidade de integrar saberes.
Entretanto, nossa contribuição nem sempre recebe o reconhecimento devido dos produtores e da sociedade. Muitas vezes, o resultado aparece na colheita, enquanto o conhecimento que o tornou possível permanece invisível. Essa realidade merece reflexão e ação coletiva, sem desconsiderar os produtores que reconhecem e valorizam a assistência profissional.
Precisamos comunicar o que fazemos. Demonstrar, com resultados compreensíveis, como a orientação agronômica contribui para evitar perdas, melhorar a renda, conservar solo e água e produzir alimentos seguros. Precisamos estar nas escolas, nos meios de comunicação e nos espaços de decisão, explicando nossa contribuição para o cotidiano das pessoas.
Também devemos fortalecer nossas entidades, defender condições dignas de trabalho e remuneração e cultivar relações de confiança com os agricultores. A valorização se constrói com organização, presença pública e serviços de qualidade. Exige ouvir demandas, assumir responsabilidades e demonstrar o valor do acompanhamento técnico contínuo.
Comunicar, conectar e capacitar são caminhos para aproximar a Agronomia da sociedade e preparar lideranças. Cabe a nós transformar conhecimento em benefícios percebidos, sem abrir mão da independência técnica e do interesse coletivo.
Neste 12 de outubro, celebremos o que fomos, afirmemos o que somos e construamos o que seremos: profissionais essenciais a uma agricultura brasileira produtiva, sustentável e comprometida com a alimentação das gerações presentes e futuras.
Uma trajetória de ciência, compromisso com o Brasil e responsabilidade com as próximas gerações.
Eng. Agr. Francisco A. Silva de Almeida
Presidente da CONFAEAB

