O desmatamento no Brasil apresentou uma queda de 11,6% em 2023, totalizando 1.829.597 hectares de vegetação nativa suprimidos, conforme aponta o Relatório Anual do Desmatamento (RAD) do MapBiomas. Apesar da redução, o Cerrado se tornou o bioma mais afetado, respondendo por 61% do desmate nacional, superando pela primeira vez a Amazônia em área desmatada desde o início da série histórica em 2019.
Cerrado ultrapassa Amazônia em desmatamento
Em 2023, o Cerrado perdeu 1.110.326 hectares de vegetação nativa, um aumento de 68% em relação a 2022. A Amazônia, por sua vez, registrou uma redução de 62,2% no desmatamento, totalizando 454,3 mil hectares suprimidos.
A região do Matopiba, composta pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, concentrou 74% do desmatamento no Cerrado, equivalente a 858.952 hectares — um aumento de 59% em relação a 2022.
Maranhão lidera ranking de estados
O Maranhão liderou o ranking dos estados com maior área desmatada em 2023, com 331.225 hectares suprimidos, representando um aumento de 95,1% em comparação ao ano anterior. A Bahia ficou em segundo lugar, com 290.606 hectares desmatados (aumento de 27,5%), seguida pelo Tocantins, com 230.253 hectares (aumento de 177,9%).
Impacto em áreas protegidas
O desmatamento também avançou em áreas protegidas no Cerrado. O Território Indígena Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, foi o mais afetado, com 2.750 hectares desmatados. Além disso, o desmate em Territórios Quilombolas aumentou 665%, totalizando 2.555 hectares. A Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Preto, na Bahia, foi a mais desmatada do país, com 13.596 hectares suprimidos.
Mudança no perfil do desmatamento
Pela primeira vez, o desmatamento em formações savânicas (54,8%) superou o das formações florestais (38,5%), indicando uma mudança no perfil da vegetação suprimida.
Perspectivas
Embora a redução geral do desmatamento seja um sinal positivo, a concentração das perdas no Cerrado, especialmente na região do Matopiba, acende um alerta sobre a necessidade de políticas públicas específicas para a proteção desse bioma, que já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa.

