Conversão de pastagem e produção regenerativa no Cerrado custam US$ 55 bilhões, diz estudo

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Conversão de pastagem e produção regenerativa no Cerrado custam US$ 55 bilhões, diz estudo

Converter todos os pastos degradados do Cerrado em áreas aptas à atividade rural e intensificar as práticas regenerativas na agricultura do bioma exigiriam US$ 55 bilhões em investimentos até 2050, segundo estudo do Boston Consulting Group (BCG). Esses investimentos, afirma a consultoria, dependem em parte de capital concessional — que assume mais riscos e tem menos retorno em prol de objetivos sustentáveis — para destravar aportes privados.

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A empresa calcula que seriam necessários US$ 5 bilhões (9% do total, ou R$ 28 bilhões na cotação atual) em capital concessional para alavancar o capital privado, que poderia contribuir com US$ 24 bilhões do valor necessário para os investimentos nos próximos 25 anos. Os demais US$ 26 bilhões seriam ofertados em linhas subsidiadas do Plano Safra. Pela taxa de câmbio atual, o crédito rural subsidiado necessário para esse período seria de R$ 150 bilhões.

Apesar do montante elevado de capital concessional necessário, Matheus Munhoz, do BCG, diz que tem visto “um crescimento do interesse” do investidores com esse perfil no agronegócio Brasil.

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O BCG estima que, se for possível atrair esse capital, a produção regenerativa geraria um valor econômico (a valor presente líquido) de US$ 100 bilhões. O cálculo considerou as realidades individuais de cada fazenda, a partir de mapas do MapBiomas, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig) e do sistema de Cadastro Ambiental Rural (CAR).

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Segundo Lucas Moino, sócio do BCG, a análise geoespacial buscou identificar áreas com pastagens com “algum tipo de oportunidade econômica”.

“Fizemos modelagem propriedade a propriedade e vimos qual era o business case mais viável e quais áreas agrícolas podiam se beneficiar”, afirmou Moino.

 

Áreas para investimento

Na análise geoespacial do BCG, há hoje 35 milhões de hectares de pastagens degradadas no Cerrado, dos quais 23,7 milhões de hectares podem ser convertidas para grãos — incluindo áreas com degradação “severa” —, além de 8,6 milhões de hectares de agricultura que podem passar por uma intensificação de práticas regenerativas.

No caso dos investimentos para a conversão de pastagens, o BCG estima que a os produtores podem obter uma taxa interna de retorno (TIR) de 15% a 22% — já superando a Selic atual. Esses números podem variar nesta faixa a depender do nível de degradação da pastagem e das oportunidades econômicas de cada região, que incluem estrutura logística regional, além de custos e preços de cada região. O retorno desses projetos, porém, são de longo prazo, entre sete a nove anos.

Nos investimentos em práticas regenerativas, a TIR estimada varia de 16% a 29%, com prazo de três a cinco anos. O BCG desconsiderou investimentos em plantio direto por ser uma prática comum no país, mas incluiu práticas como integração, cultura de cobertura, rotação e uso de biológicos.

Por: Camila Souza Ramos — São Paulo

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