Conflito Irã x Israel: por que o agro deve ficar atento à escalada dos combates

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Conflito Irã x Israel: por que o agro deve ficar atento à escalada dos combates

O conflito entre Israel e Irã colocou a geopolítica e a economia mundial em estado de alerta. Como parte de uma cadeia global, o agronegócio não está livre de riscos. Dos preços de commodities agrícolas a entraves logísticos para setores que tem a região como rota de transporte, saiba seis razões para o agro ficar atento a uma de uma escalada nos combates no Oriente Médio.

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“O Irã é grande fornecedor global de fertilizantes. Além disso, é o maior importador de milho e o quarto maior importador de soja do Brasil”, resume o consultor Carlos Cogo.

Preços de fertilizantes podem subir

O Irã é um dos principais produtores globais de ureia, um insumo essencial para culturas intensivas em nitrogênio, como o milho. Uma escalada do conflito pode afetar a oferta global do produto e encarecer os preços no mercado internacional, destaca a consultoria StoneX.

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Em 2024, toda a ureia usada nas lavouras do Brasil veio do exterior. O Brasil importa 17% no nitrogenado iraniano

 

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Carlos Cogo pontua que o Brasil é importador de fertilizantes. Uma eventual ruptura nessa cadeia de fornecimento pode prejudicar o abastecimento de insumos. O produtor brasileiro pode ter que pagar mais caro pelo adubo, principalmente os nitrogenados, ou, eventualmente, sofrer atrasos na entrega.

Transporte de mercadorias pode travar

Mapa do Estreito de Ormuz. Região é rota logística de pelo menos 20% da produção mundial de petróleo, além de fertilizantes — Foto: Getty Images

É na região do conflito que está o estreito de Ormuz, importante rota logística internacional de petróleo e de fertilizantes. O mercado segue atento a possíveis interrupções no transporte marítimo e no fluxo de mercadorias em portos.

Se a logística de grãos e insumos travar, aumentam os riscos à segurança alimentar, principalmente em países mais dependentes das importações, como destaca Marcus Magalhães, analista e sócio-fundador da MM Cafés.

Raphael Bulascoschi e Ana Luiza Lodi, analistas da StoneX, acrescentam que restrições ao fluxo de mercadorias podem elevar preços de frete e de seguros, aumentando custos logísticos.

Preço do petróleo pode subir

 

Tensões da região do Oriente Médio, como o conflito entre Israel e Irã, tendem a provocar rápida volatilidade aos preços do petróleo. Cogo destaca que só a ameaça de fechamento do estreito de Ormuz.

Na sexta-feira (13/6), os principais contratos no mercado futuro em Nova York e Londres fecharam acima dos US$ 70 o barril, com altas de 6% a 7% em relação ao dia anterior.

“Para o Brasil, isso pode resultar em aumento no custo dos combustíveis, pressão inflacionária e novos reajustes na política de preços da Petrobras, com efeitos diretos sobre a produção agropecuária”, analisa.

Agro pode ter dificuldades de comércio

Imagem espacial do Golfo Pérsico, Estreito de Ormuz e Golfo de Omã — Foto: Jacques Descloitres/NASA

Os analistas da StoneX destacam que, além de riscos logísticos, o agronegócio brasileiro pode ter dificuldades para comercializar produtos, como o milho, importante na pauta de exportações para o Irã. De tudo o que o Brasil embarcou de milho em 2024, 10,9% foram para os iranianos: O país comprou 4,3 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2024, 10,9% do total.

“O Irã foi responsável por 10,9% das exportações de milho do Brasil em 2024, com 4,3 milhões de toneladas. Um agravamento do conflito pode comprometer essa demanda, prejudicando exportadores brasileiros que dependeriam da realocação rápida para outros mercados”, disseram os analistas da StoneX, Raphael Bulascoschi e Ana Luiza Lodi.

Biocombustíveis e fibras mais competitivos

 

Se, por um lado, a alta do petróleo pode trazer pressões inflacionários, por outro, pode gerar vantagens competitivas aos combustíveis e fibras. Carlos Cogo lembra que o óleo de soja é insumo-chave para a produção de biodiesel, que pode se tornar mais competitivo.

No açúcar, pode haver uma competição mais acirrada com o etanol. “Com petróleo mais caro, o etanol se valoriza, o que pode levar usinas a direcionarem mais cana para o biocombustível”, aponta. Os preços do açúcar, que vinham testando quedas consistentes, podem subir na bolsa de Nova York.

O algodão, cotado na mesma bolsa, pode ficar mais competitivo, caso haja um encarecimento de fibras derivadas de petróleo, como a de poliéster. Se o produto sintético sobre, a pluma passa a ser alternativa para a indústria.

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