Os exportadores de melancia enxergam uma oportunidade para até quintuplicar suas exportações até 2030. A equação envolve novas variedades da fruta e a construção do hábito de consumo durante o inverno no hemisfério norte.
Já no ano passado, a melancia foi a fruta com o maior crescimento tanto em volume (39,9%) quanto em receita (57,2%) nas exportações entre as cinco principais variedades. Os dados compilados pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) indicam que a melancia é a quinta fruta mais exportada pelo país.
O nicho faturou US$ 115,6 milhões e embarcou 185,5 mil toneladas para o mercado externo no ano passado. “É possível quintuplicar o volume exportado nos próximos cinco anos”, afirma Luiz Roberto Barcelos, sócio da Agrícola Famosa, a maior exportadora de melancia do país.
“Estamos criando uma cultura de consumo fora da estação tradicional. Hoje, a janela brasileira vai de setembro a abril, exatamente durante o inverno europeu, antes da colheita de países mediterrâneos”, conta.
As frutas exportadas têm características específicas. Elas são menores, entre 1,5 kg e 3 kg, e predominantemente sem semente ou com microsementes, além de características de paladar e sensoriais diferenciadas.
A Agrícola Famosa cultiva cerca de 2 mil hectares e é uma das principais exportadoras brasileiras de melancia. A empresa embarca aproximadamente 300 mil toneladas de frutas de diferentes variedades por ano, o equivalente a cerca de 12 mil contêineres.
Sem concorrentes
Atualmente, o Brasil cultiva cerca de 110 mil hectares de melancia, mas apenas 5 mil hectares são destinados à exportação de variedades especiais, voltadas principalmente à União Europeia (UE).
A competitividade brasileira se apoia em uma combinação de janela climática favorável e ganho de eficiência produtiva seja em produtividade como em custos. Outros produtores aparecem em desvantagem sob diferentes aspectos.
Israel, por exemplo, praticamente não concorre por custo, enquanto a Espanha — principal concorrente — não produz no inverno europeu. Já países da América Central também atuam no mercado, mas com maior foco na América do Norte.
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Brasil cultiva cerca de 110 mil hectares de melancia — Foto: Wenderson Araujo / CNA / Divulgação
“Junte-se a eles”
Para Max de Aquino, diretor no Brasil do Grupo CMR, o avanço brasileiro é resultado direto da profissionalização do campo. Ele lidera o grupo de capital espanhol que investiu na produção de melancias e melões no Rio Grande do Norte.
“O Brasil vem batendo recordes sucessivos graças a muito trabalho. Isso é consequência da profissionalização, não apenas em insumos, mas principalmente em manejo”, afirma.
Dadas às vantagens competitivas do Brasil, o Grupo CMR iniciou a produção em Jandaíra (RN), em 2008, e cultiva atualmente cerca de 2 mil hectares. A produção está na faixa de 13 mil a 14 mil toneladas de melão e melancia por ano. Deste total, 1,3 mil toneladas são de melancia.
Segundo Aquino, a produtividade evoluiu de forma consistente na última década. “Em boas condições, alcançamos entre 45 e 50 toneladas por hectare. Um bom padrão produtivo gira entre 33 e 35 toneladas. Há dez anos, esses números eram bem menores.”
A exportação da empresa também tem como destino principal a Europa, via Espanha e porto de Roterdã.
Exigências crescentes
O mercado europeu impõe critérios cada vez mais rigorosos, especialmente em relação a garantias fitossanitárias e redução do uso de defensivos. Por isso, as empresas investem em bioinsumos, rastreabilidade, automação e uso de drones para monitoramento, entre outras novas tecnologias.
“Quanto à automação na lavoura e no packing house, sempre buscamos maior eficiência e menor a margem de erro”, afirma Aquino. Ainda assim, a colheita da melancia permanece majoritariamente manual.
Além da segurança alimentar, entram na conta exigências ambientais, como licenças e outorga de água, e responsabilidade social, incluindo condições adequadas de trabalho e alojamento. “Essas exigências acabam retornando em eficiência de gestão e produtividade”, finaliza Barcelos.
Fonte: Globo Rural

