Com estratégia ousada, DBN busca 30% do mercado de biotecnologia para soja

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Com estratégia ousada, DBN busca 30% do mercado de biotecnologia para soja

Uma gigante chinesa de biotecnologia, ainda pouco conhecida no Brasil, tem uma meta ambiciosa para o país: a DBN Biotech mira conquistar, até 2038, uma fatia de 30% do mercado brasileiro de biotecnologia para sementes de soja, atualmente dominado pela alemã Bayer. Para chegar a esse resultado, a empresa se mostra disposta a abrir mão da rentabilidade no curto prazo, uma forma de acelerar a adoção no Brasil de suas tecnologias que têm foco no controle de lagartas e na tolerância a herbicidas.

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Foi o que sinalizou Suping Geng, vice-presidente de negócios DBN Biotech para a América Latina, a jornalistas brasileiros em conversa realizada no intervalo entre visitas a unidades do grupo na China na semana passada. Empresas de sementes e melhoradores também estiveram nas visitas.

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Após ter suas primeiras tecnologias (traits, ou eventos) aprovadas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio) em 2023, a empresa planeja a instalação de um laboratório em Campinas (SP), ainda sem data prevista, e o lançamento do primeiro produto no mercado brasileiro em 2028. “Não buscamos apenas o lucro imediato. Nosso objetivo principal é introduzir o produto no mercado e fazer com que os agricultores o conheçam e se familiarizem com ele. Vamos concentrar esforços nos produtos futuros”, disse Suping Geng.

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Participantes das visitas, que preferiram não se identificar, avaliam que para alcançar os 30% do mercado, a DBN irá adotar uma postura “agressiva” em termos de preço. A empresa nega que a estratégia de preço já esteja definida, mas sinaliza que pretende ficar com uma parcela menor dos royalties das tecnologias.

“O preço é definido com base no desempenho de mercado. A DBN pode praticar um preço semelhante, ligeiramente inferior ou até superior ao da concorrência, mas a receita gerada [com royalties] será compartilhada entre os elos da cadeia”, afirmou Geng, que atuou por 18 anos na Syngenta.

A estratégia da DBN é licenciar os eventos tecnológicos para obtentores e empresas de melhoramento já estabelecidas no Brasil. Mas a companhia não descarta, no futuro próximo, avançar para uma semente própria. A DBN já possui parceria com a TMG no desenvolvimento de uma proteína para controle do bicudo-do-algodoeiro.

No caso do milho, a empresa entendeu que o desempenho seria semelhante ao das tecnologias já existentes no Brasil, por isso concluiu que chegaria ao mercado sem uma vantagem competitiva. Os chineses decidiram esperar uma segunda geração de eventos tecnológicos, o que deve levar de sete a dez anos.

Enquanto ocorria a regulamentação, a DBN começou a transferir seus eventos tecnológicos para empresas de melhoramento, como GDM, TMG, Latitude Genética, Caraíba Genética, Inova Genética, Genética Soy e Long Ping. O objetivo é que essas empresas incorporem as tecnologias aos seus programas de melhoramento, desenvolvam variedades adaptadas e posteriormente coloquem essas sementes no mercado. Testes de campo têm sido realizados em estações de pesquisa de diferentes regiões do Brasil.

De acordo com Geng, a empresa busca construir uma operação sul-americana mais independente de Pequim, com suporte da matriz, mas com autonomia para o time brasileiro. A instalação do laboratório em Campinas é um elemento central nessa estratégia.

A DBN Biotech sustenta que o principal diferencial técnico apresentado por sua biotecnologia para sementes de soja é um controle mais eficiente de lagartas do gênero Spodoptera, praga agrícola altamente destrutiva. Segundo Geng, a tecnologia Double Stack, aprovada no Brasil, atua no controle de cerca de sete insetos, enquanto a Triple Stack, também aprovada, amplia essa cobertura para mais de dez.

A estratégia da DBN prevê uma entrada gradual no Brasil. Os primeiros lançamentos devem ser concentrados no Sul do país, onde a companhia tem materiais desenvolvidos em parceria com a GDM. Em seguida, a empresa pretende avançar para o Centro-Oeste e o Matopiba (região de confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) por meio de outros parceiros, enquanto a futura geração de tecnologias deverá ser posicionada para todo o território nacional.

Maior empresa privada da China na área de sementes, a DBN desembarca no Brasil no momento em que o gigante asiático fortalece a sua estratégia para aumentar a autossuficiência em alimentos. Na prática, porém, os chineses sabem que é difícil aumentar a produção doméstica e reduzir a dependência das importações de soja.

“A área total de terra é limitada, não há espaço suficiente para expandir o cultivo. Outro aspecto relevante é a preferência dos agricultores: ao escolher entre milho, algodão e soja, eles tendem a optar pelo milho”, afirmou Geng.

O governo chinês já anunciou, inclusive, a intenção de reduzir a adição de farelo de soja na ração animal. Na DBN, que também atua em nutrição animal, essa diretriz ainda não foi posta em prática porque a empresa considera que a dieta com farelo de soja é mais efetiva do que com outros grãos, segundo o executivo. “A digestibilidade do farelo de soja para os suínos é muito melhor do que a do DDG de milho”, disse ele, em referência aos grãos secos de destilaria, coproduto do processamento do milho.

*O jornalista viajou a convite da DBN

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