Atualmente, o Brasil ocupa a segunda posição global na produção de pimenta-do-reino, com cerca de 125 mil toneladas anuais, segundo o IBGE. Nos últimos anos, o valor da produção superou R$ 3,6 bilhões. Esse crescimento ocorreu principalmente devido à valorização do produto no mercado externo. Como resultado, a cultura ganhou relevância estratégica dentro das propriedades rurais.
A produção se concentra, sobretudo, no Espírito Santo e no Pará, que juntos respondem por mais de 90% da safra nacional. Além desses estados, a Bahia também apresenta áreas relevantes. Grande parte do volume segue para exportação, principalmente para mercados da Ásia e da Europa. Dessa forma, a pimenta-do-reino se consolida como alternativa de diversificação, especialmente em regiões cafeeiras.
“Com mais de 50 anos de atuação, a MIAC desenvolve tecnologias voltadas às culturas que exigem atenção às particularidades de cultivo e colheita. Por isso, estruturamos a BP Master a partir da realidade do produtor, com o objetivo de tornar a colheita mais eficiente e produtiva, preservando a qualidade dos grãos”, afirma Joel Backes, diretor Comercial da MIAC – Indústrias Colombo.
Escassez de mão de obra acelera mecanização
Apesar da relevância econômica, muitos produtores ainda realizam a colheita de forma manual. Nesse cenário, a atividade exige grande volume de trabalhadores. Ao mesmo tempo, a escassez de mão de obra no campo eleva os custos operacionais e dificulta a expansão da cultura.

Equipamento para a colheita da pimenta-do-reino é inédito no mundo – Foto: Divulgação
Diante desse desafio, a MIAC desenvolveu a BP Master com foco na mecanização do processo. Durante o desenvolvimento, a empresa realizou testes operacionais e promoveu ajustes técnicos diretamente com produtores. Assim, o equipamento passou a atender diferentes realidades produtivas com maior precisão.
“O lançamento amplia nossa atuação em culturas com alto potencial de crescimento. Além disso, responde à demanda por tecnologias que aumentem a eficiência e garantam qualidade ao produto colhido”, complementa Backes.
Tecnologia embarcada otimiza operação
A BP Master opera acoplada ao trator e utiliza a tomada de potência (TdP) para acionamento. Para funcionar, o operador utiliza duas válvulas de controle remoto, responsáveis pelo acionamento do motor e dos cilindros hidráulicos.
Segundo Hugo Matsuo, diretor de Inovação da Indústrias Colombo, o equipamento reúne soluções técnicas voltadas ao desempenho no campo. “O sistema inclui alimentação contínua por rolo e lona, além de mecanismo de trilha com rotor. Também conta com peneira de limpeza e elevador de canecas plásticas, o que garante separação eficiente e preservação dos frutos”, explica.
Além disso, o implemento atende tanto pequenas áreas quanto operações de maior escala. Dessa maneira, o produtor reduz custos e otimiza o trabalho no campo. Ao mesmo tempo, a estrutura robusta facilita a operação e contribui para maior durabilidade do equipamento.
Outro ponto relevante envolve a manutenção. O modelo apresenta componentes de fácil acesso, o que agiliza reparos e limpeza. Além disso, o sistema inclui um pulmão de ensaque, que organiza o fluxo de descarga durante a operação.
Com cerca de 3,2 metros de altura, 3,8 metros de comprimento e 3,5 metros de largura, a BP Master já está disponível para comercialização no Brasil e no exterior. Assim, a expectativa é de que a tecnologia fortaleça a competitividade da pimenta-do-reino brasileira, ao mesmo tempo em que eleva os padrões de eficiência e qualidade no campo.

