Coco de piaçava: como o produto tradicional da Bahia ganhou espaço no mercado islâmico

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Coco de piaçava: como o produto tradicional da Bahia ganhou espaço no mercado islâmico

A piaçava, famosa no passado, quando suas fibras eram uma popular matéria-prima para a fabricação de vassouras, hoje é virtualmente ignorada por grande parte dos brasileiros, além de estar ameaçada de extinção por causa do desmatamento da Mata Atlântica. Mas a espécie continua a ser um elemento importante na economia do sul da Bahia, sua região de origem.

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O plástico pode ter roubado espaço da fibra da palmeira nas vassouras dos lares brasileiros, mas outro item da cultura tem conquistado adeptos no mundo islâmico: o coco da piaçava tem sido alternativa ao marfim na confecção da masbaha, uma espécie de terço usado nas orações diárias dos fiéis.

A Cooperativa dos Agricultores Familiares do Baixo Sul (Coopafbasul), de Ituberá (BA), trabalhava com outras 120 culturas, além da palmeira, quando começou a vender ao Egito em 2020. Hoje, ela é líder nas exportações. Os embarques de coco da cooperativa somaram 390 toneladas em 2025 e chegaram a 233,5 toneladas no cinco primeiros meses deste ano.

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Em 2026, a cooperativa espera exportar 500 toneladas.

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“A gente não conhecia a dimensão desse trabalho e o quão importante ele seria para região toda”, afirma Gileno Araújo dos Santos, diretor-executivo da Coopafbasul.

Inicialmente, a cooperativa só trabalhava com a fibra da piaçava, mas ela passou a olhar com mais atenção para o coco em 2020, após ter sido procurada por um comerciante egípcio que atuava no ramo. Interessado na estrutura logística da cooperativa, o comerciante encomendou já no primeiro ano 42 contêineres de 28 toneladas.

“Ele queria um contrato de três mil toneladas por ano, e fomos atrás desse volume. Fizemos um levantamento de quantos cooperados tinham coco e percebemos que o volume era bem expressivo”, recorda Santos.

Hoje com 3,8 mil cooperados, a Coopafbasul passou a vender também para China, Turquia e Indonésia, além do Egito.

Também cresceu o valor agregado dos embarques. A partir da seleção prévia dos cocos que tinham mais qualidade e características mais propícias para a produção da masbaha, a Coopafbasul passou a vender o coco de piaçava não mais por milheiro, mas por quilo. Com isso, o preço por quilo, que era de R$ 0,20 até então, subiu para R$ 2,80.

O volume do embarques, em contrapartida, caiu pela metade, já que a cooperativa passou a descartar os cocos avaliados como de qualidade inferior. A Coopafbasul criou quatro classificações para o coco da piaçava para exportação, e mais da metade da produção passou a se destinar para a queima na indústria.

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