Cientistas criam sensor de microagulhas que identifica em dois minutos se peixe está fresco (ou não)

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Cientistas criam sensor de microagulhas que identifica em dois minutos se peixe está fresco (ou não)

Você saberia dizer se o peixe que comprou hoje ainda está realmente fresco? Pesquisadores internacionais desenvolveram um sensor vestível capaz de responder a essa pergunta em menos de dois minutos, analisando a presença de compostos químicos associados à decomposição. A inovação, divulgada nesta quarta-feira (3), na revista ACS Publications, promete transformar a avaliação de frutos do mar, atualmente baseada em inspeção visual e olfativa, muitas vezes imprecisa.

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O dispositivo utiliza uma matriz de microagulhas revestidas com nanopartículas de ouro e uma enzima específica. Ao ser pressionado sobre a superfície do peixe, as microagulhas entram em contato com o tecido, onde a decomposição química começa, detectando rapidamente a hipoxantina, um composto que se forma logo após a morte do peixe. A reação da enzima gera sinais elétricos interpretados pelo sensor, fornecendo um resultado em cerca de 100 segundos.

A técnica supera limitações dos métodos tradicionais, que dependem de sinais visuais, como olhos claros e guelras brilhantes, ou odores. Esses sinais só aparecem em estágios avançados da deterioração, enquanto a hipoxantina indica o frescor muito antes de qualquer alteração perceptível.

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Para avaliar o desempenho do sensor, os pesquisadores testaram o protótipo com filés de salmão fresco expostos à temperatura ambiente por até 48 horas. Durante o experimento, o dispositivo conseguiu detectar níveis de hipoxantina tão baixos quanto 500 partes por bilhão, o que indica peixe muito fresco. Os resultados eram disponibilizados em cerca de 100 segundos, demonstrando sensibilidade comparável à de kits de laboratório especializados.

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Além disso, os testes incluíram comparação com métodos convencionais de análise química, confirmando que o sensor pode identificar alterações precoces que não seriam perceptíveis visualmente ou pelo olfato. Isso reforça o potencial da tecnologia para monitoramento em tempo real da qualidade de frutos do mar, tanto para peixes inteiros quanto para filés embalados.

 

 

O sensor tem potencial para beneficiar distribuidores, supermercados, restaurantes e consumidores, oferecendo uma avaliação objetiva e em tempo real. Atualmente, a confiança no frescor depende da intuição de quem compra, o que pode gerar desperdício ou riscos à saúde. Com a tecnologia, seria possível reduzir o desperdício alimentar e aumentar a segurança dos alimentos.

Embora ainda seja um protótipo e precise de ajustes antes da comercialização, os pesquisadores Nicolas Voelcker, Azadeh Nilghaz e Muamer Dervisevic acreditam que o avanço representa um passo importante para a monitorização da qualidade do peixe. No futuro, verificar o frescor poderia ser tão simples quanto pressionar o sensor e aguardar uma resposta confiável baseada em dados químicos.

Com a chegada de dispositivos como este, o mercado de frutos do mar poderá contar com ferramentas precisas e rápidas, mudando a forma como consumidores e profissionais avaliam a qualidade dos alimentos, evitando desperdício e reforçando a confiança nos produtos.

 

 

Fonte: O Globo 100

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